Prestes a ser denunciado, Temer tenta demonstrar calma na China

“No plano jurídico, quando alguém começa a agir suspeitamente, você tem que arguir a suspeição. Quem decide é o Judiciário, se há ou não suspeição. O que não se pode é manter o silêncio. Foi o que o meu advogado fez”, afirmou Michel Temer, após saber que seu pedido de suspeição do procurador Rodrigo Janot foi rejeitado pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal

“No plano jurídico, quando alguém começa a agir suspeitamente, você tem que arguir a suspeição. Quem decide é o Judiciário, se há ou não suspeição. O que não se pode é manter o silêncio. Foi o que o meu advogado fez”, afirmou Michel Temer, após saber que seu pedido de suspeição do procurador Rodrigo Janot foi rejeitado pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal
“No plano jurídico, quando alguém começa a agir suspeitamente, você tem que arguir a suspeição. Quem decide é o Judiciário, se há ou não suspeição. O que não se pode é manter o silêncio. Foi o que o meu advogado fez”, afirmou Michel Temer, após saber que seu pedido de suspeição do procurador Rodrigo Janot foi rejeitado pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (Foto: Leonardo Attuch)

Ana Cristina Campos – Enviada especial da Agência Brasil*

O presidente Michel Temer está na China para se reunir com o presidente Xi Jinping e investidores chineses e participar da 9ª cúpula do Brics -Fabio Rodrigues Pozzebom/Arquivo  Agência Brasil

O presidente Michel Temer disse nesta quinta-feira (31), em Pequim, que recebeu “com naturalidade” a rejeição pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin do pedido de suspeição do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, feito pela defesa de Temer, para atuar em investigação relacionada ao presidente que está em tramitação na Corte.

“No plano jurídico, quando alguém começa a agir suspeitamente, você tem que arguir a suspeição. Quem decide é o Judiciário, se há ou não suspeição. O que não se pode é manter o silêncio. Foi o que o meu advogado fez”, afirmou, após reunião com grandes empresários chineses.

Temer também disse que seu advogado está estudando a possibilidade de um recurso para o plenário do Supremo. “Mas nem sei se ele vai tomar essa providência. Essa é uma questão que ele propôs”.

No início do mês, o advogado Antonio Mariz, representante de Temer, acusou Rodrigo Janot de parcialidade nas investigações. “Se ao contrário, assumir de pronto que o suspeito é culpado, sem uma convicção da sua responsabilidade, vai atuar no curso das investigações e do processo com o objetivo de obter elementos que confirmem o seu posicionamento prematuro”, disse Mariz.

Delação de Funaro

Sobre a decisão do ministro Fachin de devolver para a Procuradoria-Geral da República (PGR) pedido de homologação da delação premiada do empresário Lúcio Funaro, Temer disse que deve haver algum equívoco na delação. “Certamente, [o ministro] mandou esclarecer [a delação]. Suponho até que o procurador deverá esclarecer e vai devolver. Essa coisa está no Judiciário. Não é mais comigo”, afirmou.

Fachin pediu que ajustes sejam feitos no acordo, que chegou nessa terça-feira (29) à Corte. Como o acordo está em segredo de Justiça, os detalhes da decisão não foram divulgados.

Em relação à decisão do ministro do STFGilmar Mendes de pedir a manifestação da Advocacia-Geral da União (AGU) sobre o pedido feito pelo PSOL para que a Corte anule o decreto presidencial envolvendo a Reserva Nacional do Cobre e Associados (Renca), localizada entre os estados do Pará e do Amapá, Temer disse que a Presidência vai se pronunciar sobre a questão.

“Lá havia uma exploração clandestina de minério. Pelo decreto que foi expedido, há preservação absoluta de toda e qualquer área ambiental e área indígena. O que há é uma regularização daquela exploração que se faz naquela região. Nada mais do que isso. É de uma singeleza ímpar”, afirmou.

Viagem

A caminho da China, Temer fez uma parada em Lisboa, onde se reuniu com o presidente português Marcelo Rebelo de Sousa. “O presidente de Portugal me recebeu e confirmou algo que já vinha sendo negociado, que é a compra de aviões da Embraer [Empresa Brasileira de Aeronáutica]”. Segundo a Presidência, foram adquiridos cinco aviões e um simulador de voo.

Em outra parada antes da China, em Astana, no Cazaquistão, o empresário Alexander Maskevich, do Eurasian Mining Group, informou a Temer que vai continuar investindo no Brasil. “Ele já investiu US$ 1,4 bilhão lá na Bahia; vai investir mais US$ 1 bilhão na Bahia. Até está se associando com um grupo chinês para fazer esses investimentos”, disse Temer.

China

O presidente brasileiro desembarcou na manhã desta quinta-feira em Pequim onde terá reuniões com o presidente Xi Jinping e investidores chineses, antes de participar da 9ª cúpula do Brics (grupo formado pelo Brasil, a Rússia, Índia, China e África do Sul), entre 3 e 5 de setembro na cidade chinesa de Xiamen.

Temer vai apresentar às autoridades e aos empresários chineses o pacote de concessões e privatizações de aeroportos, portos, rodovias e linhas de transmissão, lançado na semana passada pelo governo, que inclui a venda de parte da Eletrobras.

Após reunião com os presidentes das gigantes do setor elétrico State Grid Corporation of China e China Three Gorges Corporation, da empresa de telecomunicações Huawei e do grupo empresarial HNA, Temer afirmou que os empresários disseram ter interesse em novos investimentos.

“Foram quatro grandes empresas chinesas que estão investindo no Brasil e querem investir cada vez mais, revelando uma confiança extraordinária no nosso país, no setor de energia, no setor elétrico, no setor de mineração”, disse. “O Brasil está começando a crescer depois de vários meses de dificuldades, começando a crescer, eles sabem disso. Vocês sabem que os investidores não investem se não conhecer exatamente o que está acontecendo no país”.

Sobre a reunião com o presidente Xi Jinping e com o primeiro-ministro Li Keqiang, marcada para amanhã (1º), Temer afirmou que o propósito é incrementar e incentivar a relação comercial, política e cultural entre o Brasil e a China.

*A repórter viajou a convite do Centro de Imprensa China-América Latina e Caribe

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