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Procurador de Justiça ou de vingança?

Roberto Gurgel deixou o cargo de procurador-geral da República, e espero que seu sucessor não faça escolhas seletivas na hora de oferecer denúncia

Na semana passada, o senhor Roberto Gurgel, que até então ocupava o cargo de procurador-geral da República, utilizou-se de sua função para promover algo incompatível com alguém que exerce tão importante cargo: vingança.

O senhor Gurgel propôs a abertura de uma investigação sobre matéria que já havia sido julgada pela Justiça do Rio de Janeiro, a qual me eximiu.

Claro que o Ministério Público estadual, seguindo procedimento normal, recorreu da decisão. A investigação se refere a algo que teria ocorrido em 2003, quando eu era secretário de Governo. No entanto, com a minha eleição em 2010 para o cargo de deputado federal, o recurso do Ministério Público seguiu para a Procuradoria-geral da República, e então, de maneira surpreendente, menos de uma semana antes de deixar o cargo, o senhor Gurgel resolve me denunciar.

Por quê? Pelo simples fato de que, na semana anterior, atendendo a pedido do deputado federal Delegado Protógenes (PCdoB/SP), assinei o requerimento de criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito – CPI para investigar o senhor Gurgel pela compra superfaturada de ipads e outros componentes eletrônicos com verba pública e, diga-se de passagem, com licitação direcionada.

Certo como dois e dois são quatro, Gurgel armou a denúncia combinado com a Globo, que deu destaque no Jornal Nacional e em todos os seus veículos de comunicação.

A pergunta que faço é simples e direta: pela Constituição Federal, o Ministério Público é o fiscal da lei para fazer justiça. Para perseguir, não.

Gurgel tinha o direito de fazer o que fez? Claro que não. Essa é a resposta. Mas quem irá puni-lo? Roberto Gurgel deixou o cargo de procurador-geral da República, e espero que seu sucessor não faça escolhas seletivas na hora de oferecer denúncia.

Demóstenes Torres, que foi paladino da justiça e também procurador de carreira, teve um melancólico fim.

Gurgel que se cuide. Se depender da CPI da Câmara dos Deputados, ele vai ter que explicar muita coisa ao Brasil.