Professores: classe intelectual do País?

É evidente que o comportamento humano mudou radicalmente nessa última década, mas parece que a forma de ensinar continua a mesma do século passado

Onde anda a criatividade de alguns professores? Sério, fico impressionado com a quantidade de bizarrices que já presenciei dentro da sala desses profissionais. O recinto que mais respeitava quando ainda era um aluno acadêmico hoje não passa de um lugar onde se bebe café e se encontra revistas da Avon. Se procurar por um jornal impresso, provavelmente não encontrará.

Consulte o Histórico de Navegação do computador (se é que a escola disponibilize um para os professores), diga quais são os sites mais visitados e se o resultado é tão diferente do comportamento virtual apresentado por um adolescente de dezesseis anos. Faça uma pesquisa entre os educadores de uma escola sobre quantos livros leram durante todo o ano passado. Depois, realize novamente a pesquisa retirando as opções “livros didáticos” e “apostilas para concurso público” e compare os resultados. Provavelmente entenderá um pouco da minha preocupação.

Não precisa entrar em uma escola para entender o que estou falando, basta observar como alguns assuntos ainda são trabalhados em sala de aula por certos professores. É evidente que o comportamento humano mudou radicalmente nessa última década, entretanto parece que a forma de ensinar continua a mesma do século passado.

Ou vai me dizer que antigamente o Dia do Índio também não era lembrado com uma pintura de um cocar desenhado em uma folha papel A4, acompanhada por um dever de casa pedindo para pesquisar sobre hábitos e costumes indígenas? O que muda é que hoje as atividades não têm cheiro de álcool.

E no Dia do Livro, também se “confeccionava” um Marca Página no formato de um lápis com uma carinha sorridente? Já tentou imaginar quantas bandeirinhas do Brasil são coloridas no dia 6 de setembro?

As atividades continuam as mesmas enquanto os interesses são outros. Acontece que há muito professor que sabe tudo sobre Piaget, Vygotsky e Wallon, porém desconhece o motivo do Bruno Miguel viver puxando o cabelo da Jéssyca Letícia durante sua aula...

Em contrapartida, existem aqueles que honram a profissão e sentem uma verdadeira paixão pela docência. Professores que levam a turma para plantar uma árvore no dia 21 de setembro, que usam a internet como ferramenta de ensino e que incentivam a ida de seus alunos à biblioteca durante o ano inteiro, e não apenas no Dia do Livro.

O fato é que esses profissionais estão ficando desmotivados, pois além de não conseguirem o reconhecimento salarial que desejam, ainda são enquadrados na mesma classe daqueles que se consideram professores simplesmente por terem acesso aos almejados Livros com Resposta. Mais importante do que valorizar a profissão é reconhecer o esforço dos profissionais dedicados e distingui-los dos demais.

Professores bons sabem que não se desperta o hábito da leitura em seus alunos apenas colando “desenhos bonitinhos” em um mural. Eles precisam ler para servirem de referência. Se os professores não se assumirem a Classe Intelectual do país, a categoria jamais será valorizada e os bons profissionais continuarão sendo ofuscados pela superficialidade dos pseudo educadores.

Rodolfo Melo é formado em matemática, estudioso sobre educação e prova viva de que matemático também lê. Escreve para o blog História da Estória

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