Psicanalista rebate veto de Bolsonaro a psicólogos em escolas: “educação é investimento, não lucro”

Os psicanalistas Mariana Mollica e Alexandre dos Santos Costa conversaram com a TV 247 acerca do veto de Jair Bolsonaro ao projeto de lei que prevê a exigência de psicólogos em escolas públicas. “Os psicólogos quando vão para escola, vão lidar com uma certa expectativa que a escola tem de si mesma e quebrar com esse viés narcísico, isso é um grande desafio”, explicou Alexandre. Assista

Alunos entrando na escola
Alunos entrando na escola (Foto: Pedro Ribas/ ANPr)

247 - Jair Bolsonaro vetou integralmente na última quarta-feira (9) um projeto de lei que tramitava desde 2015 e prevê a exigência de prestação de serviços de psicologia e serviço social nas redes públicas de educação básica. Em entrevista à TV 247, os psicanalistas Mariana Mollica e Alexandre dos Santos Costa criticaram mais uma decisão de Bolsonaro contrária ao desenvolvimento da educação brasileira.

Como justificativa ao veto, o governo disse que o projeto cria despesas ao Poder Executivo sem indicar uma fonte de receita. Mariana Mollica rebateu o argumento ressaltando que a educação não visa o lucro. “Esse tema já vem tramitando há muitos anos no Congresso para que esse projeto de lei possa entrar em vigor.  E nesse momento em que temos um governo que não entende a importância da saúde e da educação, justamente coloca que um projeto como este seria seria um gasto, enquanto a educação é investimento, não se tem lucro com educação”.

A psicanalista ainda lembrou que, para muitas crianças, a escola é o único ambiente no qual pode-se ter “um acolhimento do Estado”. “Na maioria das vezes as escolas públicas recebem crianças que vivem em condições muito precárias, em lugares onde há uma vulnerabilidade social, onde há uma fragilidade muito grande de toda ordem. É o único espaço institucional onde essas crianças de fato tem um acolhimento do Estado. É fundamental a presença do psicólogo nesse espaço”.

Alexandre Costa disse que o desafio do psicólogo na escola é enfrentar o “narcisismo” da instituição, que aprendeu a lidar com problemas de ordem psicológica de seus alunos dentro de seu próprio funcionamento, sem intervenção profissional externa. “Os psicólogos quando vão para escola, vão lidar com uma certa expectativa que a escola tem de si mesma e quebrar com esse viés narcísico, isso é um grande desafio”.

Ele ainda fez uma crítica à organização das escolas. “Por mais que professores sejam de esquerda e que pensem num modo de inclusão das diferenças, ainda assim, me parece que instituição escolar não se organizou de forma a poder dar conta das suas próprias diferenças, das diferenças dos alunos”.

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