PT pede, mas Policarpo não será convocado agora

"Este sr. atravessou o rubicão e está envergonhando os jornalistas brasileiros", disse líder do PT; ele pediu a convocação de editor-chefe da revista Veja "no tempo certo"; requerimento não foi analisado; "Não se trata de discutir a liberdade de imprensa, mas discutir um sr. que está usando a sua profissão para se aliar ao crime organizado"; senador Collor insistiu na convocação; "urge trazê-lo aqui"

PT pede, mas Policarpo não será convocado agora
PT pede, mas Policarpo não será convocado agora (Foto: Edição/247)
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247 - "A convocação de Policarpo não é por ele ser jornalista, mas há respostas que ele tem de dar: ele usava, foi usado ou era um braço da organização criminosa?", disse o deputado Dr. Rosinha. "Não se trata de cercear a liberdade de imprensa, mas já está provado que algumas ações foram criminosas, como a do Hotel Naoum", disse. "Um estudo feito pela minha assessoria mostrou que cada telefonema gerava uma matéria ou deixava de gerar", acrescentou. O deputado do PT foi um dos responsáveis pelo requerimento que pedia a convocação do jornalista da Veja, flagrado em grampo da Polícia Federal pedindo escuta ilegal a Carlos Cachoeira.

"A relação dele com a organização criminosa não é uma relação de fonte, já passou disso. Tanto que ele pediu à organização criminosa para interceptar o deputado Jovair Arantes. Policarpo foi a uma reunião de empreiteiros, no Paraná, em nome da Delta. O que ele foi fazer lá?", questionou Dr. Rosinha. "Peço aos pares que acompanhem o noticiário daqui para frente, porque virão mais temas, mais questões, a respeito do comportamento deste jornalista. Não estou fazendo uma condenação, mas apenas pedindo uma investigação. Ele se sente à vontade entre nós. Ele já veio ao Congresso, para dar um depoimento a favor do Cachoeira, então ele está à vontade". Os parlamentares da comissão decidiram nesta terça-feira por não convocar o jornalista neste momento.

O deputado Miro Teixeira fez oposição aos oradores Jilmar Tatto (PT) e Fernando Collor (PRB), que defenderam a convocação. "Quando as posições vêm dos esgotos da política, isso não me preocupa, mas quando vêm do líder do PT, isso me preocupa. Policarpo será o primeiro, mas depois isso aqui vai se tornar um estado policial. Isso aqui vai se tornar uma Argentina. Não querem pegar o ladrão, mas quem busca o ladrão", disse Miro, defendendo a não convocação do editor-chefe de Veja. "Chamo a atenção de cada jornalista deste país, dos meios de comunicação. É assim que começa um movimento, não é uma questão pessoal. Esse seria o primeiro, e outros virão atrás. A intimidação, a coação poderá ir ao plano estadual, ao plano municipal". Para Miro, a imprensa é a única entidade privada que investiga o poder. "O resto é tudo chapa branca".

O líder do PT na Câmara e integrante da CPI do Cachoeira, Jilmar Tatto (PT-SP), solicitou a convocação do jornalista Policarpo Jr., editor-chefe da revista Veja, à Comissão. "Ele é um pseudo jonalista", disse. Tatto disse que Policarpo "envergonha a profissão" e usa a sua inteligência para "se aliar a uma organização criminosa". Na fase anterior da reunião da Comissao, a convocação de Policarpo não foi levada a voto. "Espero que isso aconteça no tempo certo", disse Tatto.

Em seguida, o senador Fernando Collor afirmou que Policarpo é "um bandido". Ele lamentou que a convocação do diretor da sucursal de Brasília ainda não tenha sido convocado à CPI. E pediu a presença de mais dois profissionais da publica, que ele qualificou como "asseclas de Policarpo: Rodrigo Rangel e Gustavo Ribeiro". Collor afirmou que o jornalista de Veja se reunia no "quarto 1.101 do hotel Naoum com empreiteiras". Ele afirmou ter informações de que os procuradores Léa Batista, Daniel Salgado e Alexandre Camanho se reuniram com os jornalistas Rangel e Ribeiro para traçar estratégias.

Abaixo, notícia anterior de 247:

247 – O PT está fechado em torno da convocação do jornalista Policarpo Jr., diretor da sucursal de Brasília e editor-chefe da revista Veja, à CPI do Cachoeira. Numa segunda etapa, o dono da Editora Abril, Roberto Civita, também poderá ser chamado. O senador Fernando Collor se juntará à iniciativa de convocação.

Abaixo, notícia publicada pelo Blog da Cidadania a respeito:

Blog da Cidadania _ O blog apurou nesta terça-feira que a bancada do PT na CPMI do Cachoeira deve votar em bloco a favor do requerimento do deputado Doutor Rosinha (PT-PR) para que, inicialmente, seja convocado o diretor da sucursal da revista Veja em Brasília, Policarpo Júnior. E que haveria a intenção de convocar, numa segunda etapa, o dono da revista, Roberto Civita.

PC do B, PSB e PTB (Fernando Collor) devem votar com o PT pela convocação. Mas como a Comissão precisa de ao menos 15 votos para aprovar o requerimento e os partidos dispostos a votar pela convocação do jornalista somam 11 parlamentares, os 4 votos restantes terão que ser obtidos junto ao PMDB.

Segundo a fonte na CPMI, esses votos ainda não foram conseguidos porque o PMDB está hesitando. Por conta disso, o requerimento do doutor Rosinha deve ser apresentado na sessão desta terça-feira da CPMI, mas a votação só ocorrerá quando os partidos favoráveis à convocação tiverem maioria.

O que estimulou a união do PT e a adesão de partidos aliados em favor da convocação foi a reportagem de capa da revista Carta Capital, assinada pelo repórter Leandro Fortes, que revelou escutas da Polícia Federal no âmbito da extinta Operação Vegas, arquivada pelo procurador-geral da República.

A reportagem de CC mostra degravação de escuta da PF em que o jornalista Policarpo Júnior aparece pedindo ao bicheiro Carlos Cachoeira para que faça gravação ilegal de um parlamentar. Outras escutas revelariam relação de promiscuidade entre a quadrilha e o jornalista.

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