PT prepara ofensiva digital para associar Flávio Bolsonaro a milícias
Estratégia do partido mira desgaste da imagem de Flávio Bolsonaro após pesquisas indicarem empate técnico com Lula em cenários de segundo turno
247 - O Partido dos Trabalhadores (PT) prepara uma nova ofensiva nas redes sociais contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado internamente como o principal adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na disputa pelo Palácio do Planalto em 2026. Segundo informações publicadas pelo SBT News, a legenda lançará na próxima semana uma campanha digital destinada a “mostrar ao eleitor quem é Flávio”.
As primeiras peças de comunicação devem explorar a ligação do senador com personagens investigados por atuação em milícias no Rio de Janeiro. A estratégia foi elaborada após pesquisas de intenção de voto indicarem empate técnico entre Lula e o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro em simulações de segundo turno.
De acordo com integrantes do PT, a campanha parte da avaliação de que parte expressiva do eleitorado ainda desconhece episódios do passado político de Flávio Bolsonaro. A ideia é intensificar a exposição de fatos já conhecidos da trajetória do senador e associá-los ao debate sobre segurança pública e criminalidade organizada.
Homenagens e vínculos políticos
Entre os episódios que serão relembrados pelo partido estão homenagens concedidas na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) a integrantes ligados a grupos paramilitares. O material também deve destacar a nomeação de familiares do ex-capitão do Bope Adriano da Nóbrega para cargos no gabinete de Flávio Bolsonaro.
Adriano foi acusado de chefiar o chamado Escritório do Crime, grupo de matadores de aluguel com atuação no Rio de Janeiro. Em 2019, ele e o major da Polícia Militar Ronald Paulo Alves Pereira foram alvos da Operação Intocáveis, que investigava a atuação de milícias no estado.
Os dois haviam recebido homenagens da Alerj entre 2003 e 2004 por indicação do então deputado estadual Flávio Bolsonaro. O episódio voltou a ganhar repercussão após o avanço das investigações sobre grupos paramilitares e sua influência política no Rio.
Caso Marielle e condenação no STF
Ronald Paulo Alves Pereira, apontado pela Polícia Federal como ex-chefe da milícia da Muzema, na zona oeste carioca, foi condenado neste ano a 56 anos de prisão pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele foi responsabilizado por participação nos assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.
Segundo a acusação, Ronald teria monitorado a rotina de Marielle nos preparativos para o crime ocorrido em 2018. O caso permanece como um dos episódios de maior repercussão política e criminal da história recente do país.
Já Adriano da Nóbrega morreu em fevereiro de 2020, no interior da Bahia, durante uma operação policial destinada à sua captura. Familiares do ex-capitão do Bope afirmam, no entanto, que ele teria sido vítima de “queima de arquivo”.
Queiroz e o caso das rachadinhas
Durante anos, a mãe e a esposa de Adriano trabalharam no gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa fluminense. Também integrava a equipe o ex-policial militar Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador e personagem central das investigações sobre supostas práticas de “rachadinha”.
O caso investigava suspeitas de desvio de salários de funcionários do gabinete parlamentar. Apesar da repercussão política, a investigação acabou sendo arquivada pela Justiça após decisões envolvendo a validade das provas obtidas pelo Ministério Público.
O tema já havia sido explorado pela campanha de Lula na eleição presidencial de 2022. Naquele pleito, peças publicitárias vinculavam Jair Bolsonaro a milicianos e ao crime organizado.
Estratégia repetida da campanha petista
Uma das propagandas exibidas no horário eleitoral gratuito afirmava: “Quem tem amizade com criminoso é Bolsonaro, que sempre andou com milicianos, assassinos e hoje está ajudando a armar o crime organizado”.
Agora, o PT pretende reeditar essa linha de ataque, desta vez concentrando o foco diretamente em Flávio Bolsonaro. A expectativa da legenda é consolidar nas redes sociais uma narrativa capaz de desgastar antecipadamente a imagem do senador diante do eleitorado nacional.
Nos bastidores, dirigentes petistas avaliam que a antecipação do embate digital é necessária diante do crescimento do nome de Flávio em levantamentos eleitorais recentes e da possibilidade de polarização direta entre lulismo e bolsonarismo na sucessão presidencial.