Quantas Marias cabem numa única Maria

Uma homenagem a todas as Marias mães meninas mulheres que vivem pelas ruas de nossas cidades

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Quantas Marias existem numa única Maria?

Quantas meninas mães mulheres vemos em uma única?

De santa a puta, cabe tudo, menos a menina mulher, simplesmente menina mulher, ser humano frágil como todos nós, que no imaginário de todos nós perdura a mãe, uma entidade sagrada, admirada, idolatrada, venerada.

Mas será? Será que todas as meninas mulheres independente da cor, da classe social, do que faz, do que é, da onde vêm ou para onde vão têm sua "maternidade" desejada, idolatrada, venerada?

Será que toda Maria é cheia de graça, tem o Senhor com ela, é bendita entre as mulheres e o fruto do seu ventre é bendito entre nós?

O que pensar da Maria que não se lembra de seus pais; nasceu, cresceu e se fez mulher nas ruas de uma grande cidade; aos 15 anos já é mãe pela terceira vez e teve que viver todas as 3 maternidades só entre tantas outras Marias em sua manjedoura nas ruas, nas praças, nos becos?

E se essa Maria em algum momento de sua vida tiver descoberto nas drogas, no crack, por exemplo, o poder de levá-las para um mundo imaginário, onde nem ela nem os seus passarão fome, frio; onde não será espancada, estuprada, maltratada, na maioria das vezes por quem deveria protegê-la - os agentes do Estado?

Por que antes de descobrir a droga se prostituía, cometia pequenos delitos e ninguém percebia sua existência e agora ela, aparentemente, é o centro das atenções?

Como acreditar em alguém se governantes, na defesa de interesses inomináveis, encontram a todo momento uma nova maneira para fazê-la sofrer ainda mais sob a justificativa que só com mais "dor e o sofrimento" ela procurará a ajuda que sempre procurou e nunca encontrou?

E o que será de seus filhos e filhas, gerados e paridos por mães meninas mulheres?

O que fazer para proporcionar a seus filhos um futuro diferente dos delas, se elas não sabem nem como será sua próxima hora de vida?

O que fazer com filhos de mães meninas mulheres viciadas em crack que, portanto, já nascem viciados em crack e que serão amamentados com leite maternos envenenados também pelo crack?

Maria, Maria mistura a dor e a alegria... já dizia o poeta.

Mas a essas Marias ficamos devendo a alegria, porque dor foi tudo que lhes demos.

Paulo Silveira é membro do movimento Respeito é BOM e eu gosto! e debate o tema "drogas" nesta coluna.

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