Quarta-feira de tensão máxima em Brasília

Enquanto o ministro Cezar Peluso pode dar o primeiro voto contra o ex-ministro José Dirceu no julgamento da Ação Penal 470 no STF, o ex-diretor da Dersa Paulo Preto, que depõe à CPI do Cachoeira, pode arranhar a candidatura do tucano José Serra à Prefeitura de São Paulo

Quarta-feira de tensão máxima em Brasília
Quarta-feira de tensão máxima em Brasília (Foto: Edição/247 )

247 - A quarta-feira promete ser quente em Brasília. E, como a cidade se acostumou nos últimos anos, os dois partidos que estarão no centro das atenções são PT e PSDB. O primeiro é o protagonista da Ação Penal 470, que trata do chamado 'mensalão', e pode ter seu primeiro membro condenado nesta quarta-feira, a depender do voto do ministro Cezar Peluso. O segundo pode sofrer um duro golpe na pretensão de manter o comando da Prefeitura de São Paulo, graças ao depoimento do ex-diretor da Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S.A.) Paulo Preto à CPI do Cachoeira. 

Nesta terça-feira, Peluso brincou com os jornalistas sobre o suspensa acerca da forma como pretende manifestar seu voto. "Amanhã vocês verão", disse, acrescentando: "Não estraguem a surpresa". Como esta é a última semana do ministro no Supremo Tribunal Federal (ele completa 70 anos na segunda-feira e tem de deixar a Corte Suprema), seu voto desperta enorme expectativa: vai votar apenas acerca dos seis réus de que o relator Joaquim Barbosa já tratou (e possibilitar, já nesta quarta, a condenação do deputado federal João Paulo Cunha, que já tem quatro votos contrários) ou antecipará de alguma forma seu parecer sobre os 37 réus da ação? 

No caso de adiantar o voto, Peluso será o primeiro a se pronunciar sobre o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, a figura mais destacada na Ação Penal 470. Se o ministro o fizer, a defesa dos 37 acusados deve tentar se valer de uma antecipação para questionar todo o processo, já que o STF decidiu discutir as penas dos réus ao fim do julgamento, quando Peluso já terá deixado a Corte. Assim, o ministro definiria culpas, mas não poderia definir penas.

Dersa

Já o ex-diretor da Dersa Paulo Veira de Souza, mais conhecido como Paulo Preto, depõe enquanto testemunha à CPI do Cachoeira por ter sido acusado, em entrevista de Pagot à revista Istoé, de atuar junto ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) em busca de dinheiro para a campanha de José Serra à Presidência da República em 2010. Qualquer escorregada de Paulo Preto na CPI pode complicar a campanha de Serra, que já não vai tão bem desde que o tucano passou a dividir as atenções com Celso Russomanno (PRB) nas pesquisas de intenção de voto. Como 247 mostrou nesta terça-feira, a Delta assinou contratos no total de quase R$ 1 bilhão com o governo paulista de 2002 a 2011. 

Em seu depoimento à CPI nesta terça-feira, contudo, Pagot classificou a acusação que havia feito contra o PSDB como "conversa de bêbado em botequim". "Depois que eu tinha negado o aditivo (para uma obra do rodoanel em São Paulo), no final de 2010, estava almoçando no restaurante Francisco e um conhecido meu que trabalha em uma empresa me advertiu de que o aditivo tinha finalidade de contribuir com as campanhas de Serra, Alckmin e Kassab. Ao dizer isso para o repórter (da Istoé), eu ressaltei que era uma conversa de bêbado em botequim, que não dava para provar. Posteriormente, o repórter usou as palavras que quis e não as que eu disse", disse Pagot.

Paulo Preto complica Serra? Peluso complica Dirceu? A quarta-feira responde.

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