Queiroga se irrita com pergunta sobre escândalo da Covaxin, imita Bolsonaro e abandona entrevista

Ministro falou com jornalistas após cerimônia nesta quarta-feira (23) e abandonou a entrevista após ser questionado sobre o esquema envolvendo o superfaturamento do governo na aquisição da vacina Covaxin

Marcelo Queiroga
Marcelo Queiroga (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado | Reprodução)
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247 - O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, irritou-se com uma pergunta sobre a vacina indiana Covaxin e, assim como costuma fazer Jair Bolsonaro (sem partido) quando é contrariado, abandonou a entrevista. O titular da pasta da Saúde fala com os jornalistas após cerimônia de lançamento de um fórum sobre proteção de fronteiras, nesta quarta-feira (23).

Segundo reportagem do jornal Folha de S.Paulo, inicialmente, o ministro foi questionado sobre o que faria em relação à Covaxin e indícios de superfaturamento na negociação do Ministério da Saúde para a compra da vacina.

Queiroga disse que o governo não comprou nenhuma dose do imunizante.

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"Todas as vacinas que têm registro definitivo da Anvisa ou emergencial, o Ministério considera para aquisições. Então, esperamos este tipo de posicionamento para tomar uma posição acerca não só dessa vacina, mas de qualquer outra vacina que obtenha registro emergencial ou definitivo da Anvisa porque já temos hoje um número de doses de vacina contratados acima de 630 milhões", afirmou Queiroga.

A reportagem relata ainda que um outro jornalista perguntou então se o governo compraria a vacina mesmo com preço mais alto que os demais imunizantes. Foi neste momento em que o ministro se irritou.

"Eu falei em que idioma? Eu falei em português. Então, não foi comprado uma dose sequer da vacina Covaxin nem da Suptinik", disse o ministro.

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Os repórteres explicaram que a pergunta se referia a uma intenção futura. Queiroga disse que "futuro é futuro" e deixou a entrevista sem responder a outras indagações.

Saiba mais

O deputado federal Luís Miranda (DEM-DF) disse ter alertado Jair Bolsonaro sobre a pressão de "coronéis" contra o irmão do parlamentar, Luís Ricardo Fernandes Miranda, "para fazer um pagamento e importar uma vacina que não tem Anvisa". O congressista fez referência ao imunizante da Índia Covaxin. Segundo Miranda, a pressão tinha como objetivo a realização de "um pagamento que estava em descompasso com o contrato e pior: o nome da empresa que vai receber o dinheiro não é a que fez o contrato com o Ministério da Saúde, nem a intermediária".

"É uma loucura. Fora as quantidades: o contrato previa 4 milhões na primeira entrega e só tem 300 mil", disse o parlamentar, de acordo com relatos publicados pelo site O Antagonista.

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A Covaxin foi a vacina mais cara adquirida pela gestão de Eduardo Pazuello no Ministério da Saúde, ao custo de US$ 15 por dose. A compra superfaturada do imunizante foi a única para a qual houve um intermediário e sem vínculo com a indústria de vacina, a empresa Precisa. O preço da compra foi 1.000% maior do que, seis meses antes, era anunciado pela fabricante.

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