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Quem é o pastor que pediu "câncer" para integrantes de escola que homenageou Lula

Elias Cardoso, da Assembleia de Deus de Perus, reagiu a desfile que homenageou Lula e disse que envolvidos “vão lembrar com quem mexeram”

Quem é o pastor que pediu "câncer" para integrantes de escola que homenageou Lula (Foto: Rodrigo Costa/Alesp)

247 - O pastor Elias Cardoso, que declarou que integrantes da escola de samba que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) “vão lembrar com quem mexeram” quando estiverem “com câncer na garganta”, é o líder da Assembleia de Deus de Perus (AD Perus), na capital paulista. As informações foram publicadas pelo jornal O Globo e ganharam ampla repercussão nas redes sociais.

À frente da congregação desde janeiro de 2002, Cardoso participa da igreja desde a infância. A AD Perus tem quase 79 anos de tradição e é comandada por ele ao lado da esposa, a missionária Lígia Cardoso. Em 2024, o pastor recebeu o Colar de Honra ao Mérito Legislativo, maior honraria concedida pela Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), por indicação do deputado estadual André Bueno (PL), que também é pastor na mesma igreja.

Bueno assumiu cadeira na Alesp após a saída da deputada Valéria Bolsonaro (PL), que deixou o posto para chefiar a Secretaria das Mulheres no governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos). A proximidade entre o parlamentar e o líder religioso é apontada como um dos elos políticos da congregação.

A declaração sobre o desfile

A fala do pastor ocorreu durante culto realizado na segunda-feira, após o desfile da escola Acadêmicos de Niterói na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro. A agremiação apresentou um enredo sobre a trajetória de Lula e levou à avenida uma ala chamada “neoconservadores em conserva”, com fantasias que representavam famílias religiosas dentro de latas.

Em vídeo divulgado em seu perfil pessoal e nas redes sociais da igreja, Cardoso comentou a apresentação: "Não vamos responder às provocações que fizeram nas escolas de samba. […] Tripudiaram em cima da nossa fé, não vamos responder. Vamos orar. A hora que esses homens estiverem com câncer na garganta, eles vão lembrar com quem mexeram", afirmou.

A encenação da escola gerou reação de lideranças evangélicas e políticos alinhados à direita. Parte das críticas foi acompanhada de imagens produzidas com uso de inteligência artificial, retratando famílias religiosas também dentro de latas, em referência ao desfile.

Repercussão política

Entre os que se manifestaram está a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), que afirmou que o desfile expôs “a fé cristã ao escárnio” e que a “laicidade não autoriza zombaria e humilhação”, além de cobrar posicionamento da Frente Parlamentar Evangélica.

O presidente da bancada, deputado federal Gilberto Nascimento (PSD-SP), classificou a fantasia como “inadmissível” e declarou que o desfile tratou conservadores como inimigos. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) disse que os evangélicos devem se lembrar do episódio “na hora de votar”.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que houve “ataque à fé de milhões de brasileiros”. O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo-MG), acusou a escola de preconceito religioso. Já a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) declarou que “usar verba pública para ridicularizar a igreja evangélica é inadmissível”.

Procurada para comentar as críticas, a escola não respondeu. Após o desfile, a Acadêmicos de Niterói divulgou nota afirmando que “durante todo o processo carnavalesco, a nossa agremiação foi perseguida. Sofremos ataques políticos e enfrentamos setores conservadores”, segundo comunicado publicado após a apresentação

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