Quer ser Cidadão Soteropolitano? É mais fácil do que você imagina...

Com a desenfreada concesso dos ttulos na Cmara de Vereadores da cidade, at Michael Jackson ia ser homenageado. Galvo Bueno, Adelmrio Coelho, Marina Silva e Jos Serra j conseguiram a faanha

Quer ser Cidadão Soteropolitano? É mais fácil do que você imagina...
Quer ser Cidadão Soteropolitano? É mais fácil do que você imagina... (Foto: DIVULGAÇÃO)
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Por Romulo Faro_Bahia 247 - Você sabia que Michael Jackson, o rei do pop, mesmo depois de morto quase se tornou oficialmente cidadão de Salvador? Pois é. No seu primeiro mandato na Câmara Municipal, a vereadora Léo Kret do Brasil (PR) propôs a honraria. A republicana protocolou no dia 5 de agosto de 2009, o projeto de resolução n° 50/2009 que concederia o título de Cidadão Soteropolitano post mortem ao cantor Michael Jackson, falecido em julho do mesmo ano após uma overdose de remédios analgésicos.

O projeto chegou a tramitar na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara (CCJ), mas a vereadora não levou a ideia adiante. Na Câmara Municipal dos Vereadores de Salvador, a outorga do título se dá a pessoas que fizeram algo relevante para a cidade. Mas o que o rei do Pop fez em prol da pobre capital baiana? A vereadora explica.

Léo Kret afirmou à coluna que foi orientada à época por vereadores "mais experientes", como Alfredo Mangueira (PMDB), o xerife da Câmara, a não levar o projeto à votação. Novata, a parlamentar retirou a matéria da pauta.

Ela disse que "a imprensa pegou a coisa por outro lado" e que "alguns vereadores tiveram medo de que ela viesse a "ganhar visibilidade com a proposição". Mas a edil pondera: "Vários políticos, como o deputado (federal) ACM Neto (DEM), me elogiaram pelo projeto".

Salvador para o mundo

"Isso ia mobilizar Salvador e o mundo. Onde foi que Michael Jackson gravou um clipe que levou a imagem de Salvador para o mundo de graça?", indaga a republicana.

Ela fez ainda um comparativo com o dinheiro gasto com publicidade pelo governo do estado e pela Prefeitura do Salvador e concluiu, mais uma vez, que seu projeto seria, sim, proveitoso para a cidade. "A Saltur (Empresa Salvador Turismo) e a Bahiatursa gastam milhões para fazer isso".

Léo Kret do Brasil garante ainda que, caso Michael fosse agraciado com a homenagem póstuma, a Câmara não teria gastos absurdos com passagens dos Estados Unidos para cá, como apontaram alguns vereadores. Se o projeto fosse aprovado, um parente próximo (pai, mãe, ou irmãos) teria de vir à capital receber a comenda.

"Quando eu propus, o pai e a irmã de Michael Jackson estavam no Rio de Janeiro. Não ia ter esse gasto. A presença de um parente do cantor aqui ia mobilizar a imprensa do mundo todo. Inclusive, ia ser bom também para mostrar como está o Centro Histórico, onde o clipe foi gravado", justifica a vereadora.

Muitas fãs

A republicana aproveitou para criticar colegas que concedem título de Cidadão Soteropolitano a outros artistas que, segundo ela, nada fizeram pela cidade. "O que foi que Ricky Vallen fez por nossa cidade, pelo amor de Deus?", questionou Léo Kret.

Graças ao vereador Pedrinho Pepê (PMDB), o cantor Weverton Carlos de Melo, o Rick Vallen, é oficialmente um cidadão de Salvador. Questionado pela imprensa sobre seu grande projeto, Pepê justificou que o artista "tem muitas fãs em Salvador".

Enquanto a cidade se acabava (literalmente) em chuva, na quinta-feira (10), o cantor recebeu do peemedebista a Medalha Thomé de Souza. O discurso foi comovente. "Desde que coloquei meus pés aqui, senti que minha vida estava prestes a mudar. A identificação e a paixão pelo povo baiano foram definitivas. Me senti baiano logo de cara, cheio de amor e alegria e sem rótulos. Pude ver de perto a energia que impera aqui nessa terra tão privilegiada. Senti toda a influência positiva dos orixás", deslanchou Vallen. O artista é natural de Volta Redonda, Rio de Janeiro.

Num passado recente, podemos trazer mais dois grandes artistas que viraram nossos conterrâneos. Por iniciativa do vereador Paulo Câmara (PSDB), o forrozeiro arretado Adelmário Coelho (aquele que canta "Um neném, bunitinho, safadinho, sem vergonha como eu...") foi homenageado "pelos seus serviços prestados a Salvador" no dia 10 de fevereiro deste ano.

Na teoria, só para registrar, conforme a Constituição de 1988, o vereador é o representante do povo da cidade pela qual ele foi eleito. Ele tem o papel de levar as necessidades da população ao prefeito. Além do principal, legislar, fazer projetos de lei que interfiram de forma positiva na vida dos cidadãos.

A fé

Os casos acima são apenas alguns. A preferência dos vereadores são, além dos artistas, as "personalidades" do mundo cristão. Padres, pastores, missionários, pais-de-santo e adjacências sempre estão na tribuna da Casa do Povo recebendo honrarias.

O presidente do Partido Social Cristão (PSC), vereador Héber Santana, por exemplo, agraciou o pastor Valdomiro Pereira, presidente da Convenção Estadual das Assembleias de Deus na Bahia.

Jorge Jambeiro (PP), católico fervoroso, apresentou projeto de resolução para oficializar o padre Luís Moreira Simões de Oliveira, líder da Paróquia da Vitória.

Cidadãos de campanha

Na guerra para conquistar um cargo eletivo, muitos também concedem o popular título de Cidadão Soteropolitano a figuras nas quais creditam a garantia de votos. Quando o católico Jorge Jambeiro ainda era do PSDB, ele sugeriu à Mesa Diretora da Câmara a homenagem ao então candidato à Presidência da República em 2010, José Serra.

Agora sou eu quem pergunta: o que foi que José Serra já fez por Salvador, pelo amor de Deus, o Todo-Poderoso? Ai, ai, viu!

Serra recebeu sua medalha, mas não foi eleito.

E Marina Silva? Lembra dela? A ex-PV? Pois é. O vereador Alcindo da Anunciação, na época no PSL, no ano passado, também tentou dar uma mãozinha a ela. Mas o que Alcindo tinha a ver com o PV? Hum... Muita coisa. Albry da Anunciação é filho de Alcindo e é do PV. Sacou? Albry tentou se eleger deputado estadual em 2010, mas não teve sucesso. Ele entra no páreo do ano que vem. Vai tentar uma cadeira na Câmara, para ficar perto do pai.

Você sabia que o narrador mais meloso da televisão brasileira, Galvão Bueno, também é nosso conterrâneo? Pois sim. Sabe de quem é a façanha? Do vereador Paulo Magalhães Jr. (PSC). Galvão recebeu sua medalha no dia 22 de abril do ano passado.

O fim da farra

Mas não é todo mundo na Câmara que aprova a concessão desembestada de títulos de cidadão de Salvador, não. Na próxima quarta-feira (15), um projeto será apresentado pelos vereadores peemedebistas Alfredo Mangueira e pelo presidente da Casa, Pedro Godinho, pedindo mais rigor na concessão da honraria e o fim da verba indenizatória.

Agora, aí tem algo interessante. Sabe quem também assina o projeto? Alcindo da Anunciação. É mole? Coisas da política.

Mangueira defende sua posição contrária. "Eu acho que tem que ser levado em conta se a pessoa a quem se quer homenagear realmente fez alguma coisa relevante pela nossa cidade". Na proposta, cada vereador poderá conceder apenas quatro títulos em cada mandato de quatro anos.

O problema, segundo um vereador "indignado" que pediu para ter seu nome preservado, são as homenagens concedidas pela Mesa Diretora. "Não tem limite para a Mesa conceder os títulos. Concordo que acabe a concessão por parte da Mesa e que cada vereador tenha seu limite", esbraveja o parlamentar.

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