Queridinhas de Bolsonaro, escolas militares não terão corte de verbas

Os 13 colégios militares federais do país não sofrerão com o corte de verbas de 30% anunciado pelo Ministério da Educação, que deve atingir - entre Ensino Básico e Superior - R$ 7,3 bilhões; modelo é elogiado frequentemente pelo presidente Jair Bolsonaro embora escolas públicas regulares, com alunos de rendas semelhante, tenham desempenho igual ou melhor que o dos colégios militares

Queridinhas de Bolsonaro, escolas militares não terão corte de verbas
Queridinhas de Bolsonaro, escolas militares não terão corte de verbas (Foto: Sérgio Vale/Secom)

Marcos Hermanson, Brasil de Fato - Os 13 colégios militares federais do país não sofrerão com o corte de verbas anunciado no último dia 30 pelo Ministério da Educação, que deve atingir - entre Ensino Básico e Superior - R$ 7,3 bilhões.

O modelo de colégios militares é elogiado frequentemente pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL), e vem crescendo no país. Em 2018, o número de unidades chegou a 120, com a criação de 27 novas escolas em relação a 2015.

Em cerimônia de aniversário do Colégio Militar do Rio de Janeiro, uma das unidades federais, na segunda-feira (6), Bolsonaro reforçou a promessa de criar uma escola do tipo em cada capital do país.

Na ocasião, alunos, pais e professores do Colégio Pedro II, do Colégio de Aplicação da UFRJ, do Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet) e da Fundação Osório protestaram do lado de fora da instituição contra o corte de verbas anunciado pelo MEC. Ao contrário da maioria de seus colegas, barrados na entrada da instituição, a estudante de direito e ex-aluna do colégio Maria de Sá Ferreira, 24 anos, conseguiu participar da festa e fazer uma cobrança ao presidente: "vergonha ser inimigo da educação pública".

Os colégios militares brasileiros, geridos pelo Exército, contam com orçamento anual de R$ 12,5 milhões, e costumam ocupar boas posições nos índices de pontuação de vestibulares.

Essas instituições, no entanto, adotam cotas para familiares de militares e seleção prévia de estudantes, o que provoca elitização no corpo estudantil e as difere dos demais colégios federais e da maioria dos colégios públicos brasileiros.

Segundo levantamento da Folha de S. Paulo, colégios públicos regulares com alunos de rendas semelhante, tem desempenho igual ou melhor que o dos colégios militares, ligados ao Exército ou às Polícias Militares estaduais.

Entre as escolas com estudantes de nível de renda médio (classificação usada pelo MEC), Institutos Federais (IFs) tiveram pontuação média de 552, enquanto as escolas geridas pela PM na mesma faixa de renda pontuaram 522. Entre as escolas de nível "muito alto", a diferença entre IFs e escolas militares é de 14 pontos de vantagem para as últimas.

Na pontuação do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), os IFs pontuaram mais do que as escolas militares da PM e do Exército em todas as categorias.

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