“Racismo não é doença, mas uma ferramenta política, de silenciamento”, afirma historiador

“Escuto muito frequentemente que o racismo é uma doença. Não podemos cair nessa armadilha”, diz o historiador e geógrafo da USP Denis Martins. Assista na TV 247

Denis Martins
Denis Martins (Foto: USP | Favela/ANF)
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247 - O historiador e geógrafo da USP Denis Martins explicou, em entrevista à TV 247, o termo ‘necropolítica’ e apontou que o racismo anda de mão dadas com os aparatos da necropolítica, que silencia e mata corpos ‘historicamente considerados matáveis’.

Para ele, o discurso de que o racismo é uma doença, que pode ser simplesmente ‘curada’, ignora seu uso como uma ferramenta de poder: “Escuto muito frequentemente que o racismo é uma doença. Não podemos cair nessa armadilha de que o racismo é uma doença. Não podemos biologizar isso. Dai falam: ‘o racismo é a doença de uma sociedade doente’. Ele não é uma doença, mas um instrumento de poder, uma ferramenta política, uma ferramenta que move o capital”, afirmou.

Com base nisso, se forma a necropolítica, que historicamente considerou negros como ‘corpos matáveis’: “O racismo é uma ferramenta de silenciamento, de classe social, de morte. Partindo deste princípio, o que é a necropolítica? Ela é um sistema racional, que produz morte em larga escala”.

“Essas são mortes diretivas. A necropolítica opera com apoio do sistema vigente, o capital no nosso caso, eliminando determinados sujeitos, que são as pessoas que foram historicamente consideradas corpos matáveis”, conclui o professor. 

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