Região dentro do Território Ianomami parece "campo de concentração", diz secretário de Saúde Indígena

"Parece um campo de concentração", disse Weibe Tapeba

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(Foto: Mídia NINJA | Condisi-YY/Divulgação)


BRASÍLIA (Reuters) - O Exército precisa expulsar garimpeiros ilegais que causaram desnutrição e fome em uma região dentro do Território Yanomami perto da fronteira com a Venezuela, disse o secretário especial de Saúde Indígena, Weibe Tapeba, nesta terça-feira.

"Parece um campo de concentração", disse Tapeba, um médico nomeado para o cargo pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em entrevista à rádio CBN.

Tapeba disse que 700 membros da comunidade estão passando fome e que os cuidados de saúde são inexistentes devido à presença de garimpeiros bem armados que afugentaram médicos do posto de saúde e impediram a chegada de remédios e alimentos.

O Ministério da Saúde declarou na sexta-feira estado de emergência de saúde pública no Território Yanomami, a maior reserva indígena do país, após relatos de crianças morrendo de desnutrição e outras doenças levadas pelo garimpo ilegal de ouro.

Lula visitou no sábado a Casa de Saúde Indígena Yanomami e prometeu que o governo vai "civilizar" o tratamento aos povos indígenas, além de acabar com o garimpo ilegal.

“É um cenário de extrema calamidade, muitos yanomami estão desnutridos... uma total ineficiência do Estado brasileiro”, disse Tapeba.

Uma invasão de mais de 20.000 garimpeiros ilegais contaminou os rios com mercúrio, que envenenou os peixes que os yanomami comem, disse ele, citando crianças com cabelos caindo devido ao mercúrio usado para separar o ouro do minério.

“A gente não consegue chegar por conta da presença de verdadeiros bandidos armados que estão nesse caminho impedindo a chegada das nossas equipes de saúde”, afirmou. "Entendemos que a principal medida que deverá resolver esse problema será a remoção destes garimpeiros do território".

O Supremo Tribunal Federal (STF) ordenou a remoção dos garimpeiros, mas o governo anterior, do presidente Jair Bolsonaro, nunca obedeceu. Líderes yanomami disseram que seus pedidos de ajuda foram ignorados.

Nos quatro anos do governo Bolsonaro, 570 crianças yanomami morreram de doenças curáveis, principalmente desnutrição, mas também de malária, diarreia e malformações causadas pelo mercúrio nos rios, informou a plataforma de jornalismo amazônico Sumaúma, citando dados obtidos pela Lei de Acesso à Informação (LAI).

A reserva é invadida por garimpeiros ilegais há décadas, mas as incursões se multiplicaram desde que Bolsonaro assumiu o cargo em 2018, prometendo permitir a mineração em terras indígenas anteriormente protegidas e se oferecendo para legalizar o garimpo.

O ministro da Justiça, Flavio Dino, disse na segunda-feira que há "indícios de genocídio" que estão sendo investigados.

Em dezembro, a organização Survival International alertou sobre a dimensão da crise, citando um estudo da Unicef e da Fiocruz que constatou que 8 em cada 10 yanomami sofriam de desnutrição crônica, e as mortes por doenças evitáveis entre crianças menores de cinco anos eram 13 vezes maiores que o índice nacional médio.

"Os yanomami raramente sofrem de desnutrição em circunstâncias normais. Suas florestas são abundantes e eles são especialistas em cultivar, colher e caçar tudo o que precisam, e gozam de excelente saúde", disse a diretora da Survival International, Fiona Watson, em comunicado.

“Esta é uma crise deliberada, provocada pelo homem, alimentada pelo presidente Bolsonaro, que incentivou a invasão em massa e a destruição das terras dos yanomami”, disse.

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