Regina dos Santos, do MNU: “O Estado sempre nos põe de luto. Nosso povo morre todos os dias”

Coordenadora do Movimento Negro Unificado em São Paulo, a militante histórica Regina Lúcia dos Santos fala sobre o Dia da Consciência Negra e comenta o assassinato de João Alberto Silveira Freitas em uma loja do Carrefour

Regina dos Santos (MNU)
Regina dos Santos (MNU) (Foto: Divulgação)
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247 - ‘O povo negro morre todos os dias’. A afirmação é da militante histórica contra o racismo Regina Lúcia dos Santos, que está há 25 anos no Movimento Negro Unificado (MNU), fundado há 42 anos. Em participação na TV 247, ela falou na noite desta sexta-feira sobre o Dia da Consciência Negra, em 20 de novembro, e do assassinato de João Alberto Silveira Freitas, espancado até a morte por dois seguranças brancos em uma loja do Carrefour em Porto Alegre.

Emocionada, Regina disse estar “chocada” e “machucada” com a notícia do assassinato de João Alberto, “muito difícil” de receber “em um dia de luta tão importante para a população negra”. “Eu acho que porque a gente está sempre em luta, a elite desse País, o Estado nos põe sempre em luto. E é essa a situação de hoje. De luto. Porque a gente morre, nossa juventude, nosso povo, morre todos os dias, o dia todo, de forma violenta”, afirma. “Não era um ato de linchamento, era um ato de assassinato”, completa, descrevendo a cena.

A dirigente do MNU, no entanto, diz ser “impossível conter a conscientização” que vem tendo a população - e especialmente a juventude - negra. Ela diz que “faz parte do projeto político da elite brasileira, para a manutenção do racismo, o ocultamento da nossa história, a alienação racial”. 

“Então o fato de que a gente tem desvelado a história oficial tem feito com que a população negra tenha mais acesso à sua própria história e consiga perceber que fez parte da construção do nosso País e isso faz passa a ser do conhecimento de muito mais gente. Estamos num processo de desalienação”, avalia.

Ao saber que veículos de comunicação estavam noticiando os atos de protestos contra o Carrefour em cidades brasileiras - alguns chegaram a pôr fogo no mercado, como em SP - como “vandalismo”, Regina afirmou que “todo o ato de violência que vem da elite branca é naturalizado”.

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