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Relator da CPI do Crime Organizado pede convocação de esposa de Moraes e irmãos de Dias Toffoli

Senador aponta supostos indícios de lavagem de dinheiro ligada ao Banco Master e solicita quebra de sigilos e depoimentos de familiares de ministros do STF

Ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes e senador Alessandro Vieira (Foto: Agência Brasil | Agência Senado )

247 - O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI do Crime Organizado, apresentou requerimento para a convocação da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, para prestar depoimento à comissão. O pedido inclui a quebra dos sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático da advogada. As informações foram divulgadas inicialmente pela Sputnik Brasil.

Segundo o parlamentar, o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados manteve um contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master, instituição investigada pela CPI. Vieira afirma haver “indícios veementes” de que o sistema jurídico e escritórios de advocacia teriam sido instrumentalizados para acobertar ações ilegais ligadas ao banco.

No requerimento, o senador descreve uma suposta estrutura financeira envolvendo fundos de investimento. “A engenharia financeira desvelada aponta que fundos de investimento geridos pela Reag captavam recursos da facção criminosa e os internalizavam no Banco Master através da compra massiva de CDBs”, afirma Vieira.

A partir dessa análise, o relator da CPI sustenta suspeitas sobre a origem dos valores pagos ao escritório da advogada. “Deste modo, há fundadas suspeitas de que os R$ 129 milhões devidos à Barci de Moraes Sociedade de Advogados não constituiriam mera receita operacional de uma instituição financeira lícita, mas sim o produto direto da lavagem de dinheiro”, diz o senador.

Vieira também solicitou a convocação dos irmãos do ministro do STF Dias Toffoli. Segundo ele, há suspeitas de uso indevido de influência institucional para fins privados, o que poderia configurar um “braço de apoio logístico ou político para estruturas criminosas”.

As convocações relacionadas ao ministro envolvem a transferência de cotas do resort de Tayaya das empresas Maridt Participações S.A. e DGEP Empreendimentos e Participações Ltda. para o Arleen Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia e para a PHD Holding. O fundo era administrado pela antiga Reag, alvo da operação Carbono Oculto, que apurou esquemas de lavagem de dinheiro atribuídos ao Primeiro Comando da Capital.

No requerimento, o senador afirma ainda haver informações públicas que levantam dúvidas sobre as operações. “Destaque-se também a existência de notícias demonstrando que o estilo de vida dos familiares do ministro [Dias Toffoli] é incompatível com a negociação milionária envolvendo o resort”, registra. Os pedidos serão analisados pelo presidente da CPI, senador Fabiano Contarato (PT-ES).