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Relatório da PF cita proposta do Master a empresa ligada ao Mossad

Relatório da operação Compliance Zero aponta proposta de contratação da Black Wall Global, especializada em inteligência digital e cibersegurança

Segurança do lado de fora do Banco Master, após a prisão do acionista controlador do banco, Daniel Vorcaro, em São Paulo - 18 de novembro de 2025 (Foto: REUTERS/ Amanda Perobelli)

247 - A Polícia Federal identificou indícios de que o Banco Master teria contratado uma empresa israelense-emiradense ao analisar o conteúdo de celulares apreendidos na operação Compliance Zero. As informações foram divulgadas pelo Poder360.

A investigação apura operações financeiras do antigo Banco Master, liquidado em novembro de 2025 após registrar um rombo estimado em R$ 50 bilhões para o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), no que foi considerado a maior quebra da história do setor bancário brasileiro.

De acordo com o relatório analisado por integrantes do Supremo Tribunal Federal, a PF encontrou uma mensagem em que uma pessoa ligada ao Banco Master afirmava que já havia sido apresentada uma proposta de contratação da empresa de espionagem Black Wall Global. O episódio foi relatado pelo ministro Cristiano Zanin durante sessão da Corte.

Autor da exposição mais técnica do julgamento, Zanin afirmou aos colegas que, ao examinar o documento da PF, localizou a referência à empresa estrangeira. O ministro declarou não saber exatamente do que se tratava. Nesse momento, o ministro Alexandre de Moraes interveio: “Eu conheço. Isso aí é o pessoal do Mossad”.

O Mossad é o serviço secreto de Israel. A Black Wall Global, por sua vez, se apresenta como uma agência israelense-emiradense de inteligência digital, cibersegurança e defesa. Em sua descrição institucional, define-se como uma “Digital Intelligence, Cyber and Defense Agency”, fundada por veteranos de unidades de elite de inteligência, contraterrorismo e aplicação da lei.

Especializada em tecnologia de investigação, a empresa atua, entre outras frentes, na descriptografia de celulares protegidos por senha e na recuperação de conteúdos armazenados em nuvem. Um dos aparelhos que teve o sigilo quebrado pela PF foi o do empresário Daniel Vorcaro, embora não esteja esclarecido qual tecnologia foi empregada nesse caso específico.