"Risco calculado", afirmou Dallagnol sobre uso de prova ilegal em prisão

Em segredo, o coordenador da força-tarefa da Lava Jato, Deltan Dallagnol, trouxe um pen drive com dados bancários do ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa, obtido de forma ilegal em reunião com os investigadores suíços em novembro de 2014. "É natural tomar algumas decisões de risco calculado em grandes investigações", afirmou. A revelação é do Intercept

(Foto: Reuters)
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247 - Procuradores da Operação Lava Jato obtiveram por meios ilegais dados da Suíça e de Mônaco, respectivamente, sobre os ex-diretores da Petrobras Paulo Roberto Costa e Renato Duque. Eles coletaram as informações entre o fim de 2014 e o início de 2015. Em segredo, o coordenador da força-tarefa da Lava Jato, Deltan Dallagnol, trouxe um pen drive com dados bancários de Paulo Roberto Costa, obtido em reunião com os investigadores suíços em novembro de 2014. 

De acordo com reportagem do Intercept Brasil em parceria com o site Uol, "após a remessa de documentos ser contestada judicialmente pela Odebrecht, a Lava Jato tentou alterar registros na PGR (Procuradoria-Geral da República) para simular que as informações tiveram origem lícita, segundo revelam mensagens vazadas".

Com Renato Duque, Dallagnol usou dados bancários recebidos fora dos canais de cooperação para obter a prisão do ex-diretor de Serviços da Petrobrás em março de 2015.

Em 10 de março de 2015, o procurador regional da República Vladimir Aras, que comandava a SCI (Secretaria de Cooperação Internacional) do MPF, alertou Dallangol sobre o risco de cometer violações ao usar informações passadas por autoridades de Mônaco à revelia do DRCI (Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional), órgão do Ministério da Justiça.

"Delta, melhor ter cuidado. Que tipo de situação é? As defesas podem questionar o canal. O DRCI também", disse Aras, um dos maiores aliados de Dallagnol no MPF (Ministério Público Federal).

O coordenador da Lava Jato em Curitiba responde. "Concordo. Não usaria para prova em denúncia, regra geral. Vamos usar para cautelar. Se cair, chega pelo canal oficial e pedimos de novo. Trankilo, Mestre", disse. "É natural tomar algumas decisões de risco calculado em grandes investigações".

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