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Rueda foi a hangar no mesmo horário que suspeito de esquema de combustíveis investigado pela PF

Registros mostram presença simultânea com empresário ligado à operação Carbono Oculto; dirigente do União Brasil nega encontro ou viagem conjunta

Antônio Rueda (Foto: Reprodução/CNN)

247 - O presidente do União Brasil, Antonio Rueda, esteve em um hangar de aviação executiva no mesmo horário que o empresário Roberto Augusto Leme da Silva, investigado por envolvimento em um esquema de fraudes e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis. A informação foi revelada em reportagem do jornal O Globo, com base em registros de acesso ao terminal.

Segundo os dados obtidos, ambos tiveram entrada registrada às dezoito horas do dia sete de maio de dois mil e vinte e cinco, no terminal executivo do aeroporto de Brasília. O espaço é utilizado por passageiros de voos privados e conta com áreas de espera e salas de reunião disponíveis sem necessidade de agendamento.

Apesar da coincidência de horário, Rueda nega qualquer encontro com o empresário ou viagem no mesmo avião. “Entrei inúmeras vezes naquele terminal para fazer reuniões com diversas pessoas. Certamente, nesse mesmo intervalo de hora, devem ter passado centenas de pessoas lá”, afirmou.

A Polícia Federal investiga a relação entre os dois no âmbito da Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto de dois mil e vinte e cinco. A ação apura um esquema de lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e adulteração de combustíveis, com suspeita de ligação com o Primeiro Comando da Capital.

Conhecido como Beto Louco, o empresário é apontado como um dos principais alvos da investigação. Ele está foragido, consta na lista da Interpol e negocia um acordo de delação premiada. Sua defesa informou que não comentaria o caso.

Os registros do terminal indicam que, além de Rueda e do empresário, apenas mais duas pessoas deram entrada no mesmo horário a esposa do dirigente partidário e o empresário Maurício Ali de Paula, também citado na investigação. Por meio de assessoria, Ali de Paula confirmou presença no local, mas negou qualquer encontro ou viagem com os demais.

O fluxo de pessoas no terminal naquele período foi limitado. Antes das dezoito horas, três entradas foram registradas às dezessete horas e trinta minutos. Após esse horário, outras quatro ocorreram entre dezenove e vinte horas. O espaço é considerado pequeno, com capacidade reduzida de espera.

Na mesma faixa de horário, três voos partiram do local. O primeiro decolou às dezoito horas e um minuto com destino a Jundiaí, em São Paulo. Outro saiu às dezoito horas e vinte minutos, sem identificação disponível em sistemas de monitoramento. Um terceiro voo partiu às dezenove horas e seis minutos com destino a Maceió, operado por uma empresa de táxi aéreo. Não há confirmação sobre os passageiros de cada aeronave.

A relação entre Rueda e Beto Louco já era conhecida por autoridades. Reportagem da revista revista Piauí apontou que ambos trocaram mensagens por aplicativo de mensagens entre outubro de dois mil e vinte e três e maio de dois mil e vinte e quatro. Os diálogos teriam sido apresentados à Procuradoria Geral da República e à Polícia Federal durante negociações de colaboração premiada.

As investigações também analisam o papel do empresário dentro do esquema, incluindo a possível atuação como articulador político. Ao lado de Mohamad Hussein Mourad, ele é suspeito de liderar operações de lavagem de dinheiro por meio de empresas do setor de combustíveis.

Outro ponto apurado envolve a Táxi Aéreo Piracicaba. Em depoimento à Polícia Federal, o piloto Mauro Caputti Mattosinho afirmou ter transportado Beto Louco e Mourad diversas vezes em aeronaves da empresa e declarou que Rueda seria o dono de fato da companhia o que é negado pelo dirigente.

A defesa de Beto Louco classificou como “falsa e fantasiosa qualquer alegação de ligação de seu cliente com o PCC” e afirmou que não há elementos nos processos judiciais que indiquem vínculo com a facção criminosa. A defesa de Mourad também nega qualquer relação com o crime organizado.