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Rui Costa Pimenta: “desmobilizar é a pior política contra o coronavírus”

Presidente do PCO, Rui Costa Pimenta, defende a mobilização do povo, não necessariamente nas ruas, mas em seus grupos de convívio, e diz que desmobilizar é colocar a vida de milhões de trabalhadores na mão do poder público, “a maior ameaça”. Assista na TV 247

Rui Costa Pimenta: “desmobilizar é a pior política contra o coronavírus” (Foto: Brasil247 | Reprodução)

247 - O presidente do Partido da Causa Operária (PCO), Rui Costa Pimenta, em seu programa semanal na TV 247, discutiu os problemas do agravamento do coronavírus no Brasil, a crise econômica e a esquerda diante dessa situação catastrófica. O programa aconteceu na última terça-feira 17, antes, portanto, do agravamento da crise e das determinações de restrição de circulação de pessoas em vários estados.

Para ele, no mundo inteiro, “a crise do coronavírus mostrou que os governos não previram nada. Tomaram medidas empiricamente à medida que o problema se agravava, mas ninguém tinha plano de contingência ou previsão do que ia acontecer”. “A situação colocou em evidência a completa destruição do serviço público em todos os países”, reforçou, usando como exemplo a Itália, cujo sistema de saúde “pode entrar em colapso”.

Na opinião de Pimenta, “os governos estão mais preocupados em arrasar a vida da população do que prevenir uma catástrofe como essa [do coronavírus]”. “Estamos vendo uma situação muito grave deste ponto de vista”, porque segundo ele, “não têm vontade política de enfrentar” a crise gerada pelo vírus, tanto do ponto de vista da saúde, mas também do ponto de vista econômico e social.

“[Jair] Bolsonaro não tem condições psicológicas de enfrentar a crise. O que ele está fazendo é uma coisa verdadeiramente criminosa, ao falar que não tem epidemia. Qualquer governo sério deveria ter um plano de emergência. É uma situação gravíssima”, disse o presidente do PCO.

O analista político ainda disse que na hora que a epidemia se espalhar pelo país, “o desastre vai ser muito maior que na Itália, que é um país desenvolvido, europeu, um dos países mais poderosos do mundo. Lá, o índice de leito por pessoa, de UTI, é quatro vezes maior que no Brasil”. “Estamos diante da possibilidade de uma verdadeira hecatombe social, e quem vai sofrer é a população pobre”, acrescentou.

Segundo ele, é uma ilusão acreditar que o governo e o conjunto do poder público irá enfrentar a crise. “Ninguém em sã consciência pode acreditar que o poder público brasileiro tem condições de enfrentar essa situação. Até porque não tomaram nenhuma medida para solucionar o problema. O pacote de [Paulo] Guedes é rídiculo”.

O pacote do ministro da Economia, que prevê a injeção de 147 bilhões de reais na economia, “não refresca absolutamente nada”. “É uma gota d’água no oceano. É tentar apagar um incêndio com uma bisnaguinha de carnaval da água”, diz Pimenta.

É preciso mobilizar: “o poder público é a maior ameaça”

Para o dirigente do PCO, “a esquerda e as organizações operárias e populares deveriam estar em grande atividade, porque nestas condições de crise econômica e política, o poder público é a maior ameaça. Guedes vai fazer, de maneira piorada, o que estão fazendo nos outros países: usar o dinheiro público para salvar empresas e bancos”.

Ou seja, para ele, enquanto a população pobre vai estar morrendo nas periferias e nas grandes cidades, o governo vai dar dinheiro para os capitalistas. Por isso afirma que “a unidade nacional defendida pela grande imprensa da burguesia é uma farsa, porque não há solidariedade nenhuma. A primeira classe vai pegar os botes salva-vidas e deixar o resto afundar com o navio”. Isso significa, para ele, que “há um aprofundamento da luta de classes no país”

Nesse sentido, afirma, “o principal problema é político: tem que enfrentar uma epidemia, mas o enfrentamento não é um problema meramente técnico e médico, mas político e social: o pobre vai ficar na mão e o rico vai se safar. Os governos da direita detestam o povo”.

Ainda ressaltou que a direita está na frente da esquerda, pois “está jogando politicamente com a crise, explorando a desgraça popular para avançar”. Como exemplo para isso, há a proibição de manifestações públicas e o aumento da repressão, como o decreto de prisão para os que saírem da quarentena. “Os direitos da população estão sendo liquidados ainda mais. Precisamos nos opor a isso com todas as forças. A população só pode se defender da pandemia, se ela tiver condições de reagir, disse.

Segundo ele, a suspensão dos atos do dia 18, que ocorreriam contra o governo Bolsonaro, é uma “besteira”. “Completamente absurdo, fiquei até pasmo de ver que as pessoas podem fazer uma colocação como essa”. “A um ato público vão 10 mil pessoas - a céu aberto”, observou, comparando esse público ao número de pessoas que usam transporte público todo dia em São Paulo.  

“No transporte público de São Paulo transporta-se 17 milhões de pessoas por dia, nos ônibus, mais 8 milhões na CPTM e no metrô. Todo mundo sabe como funciona. As pessoas vão empacotadas dentro do transporte público. Precisaria de 2 mil atos públicos para ter o efeito [de propagação do vírus] que no transporte público terá em um dia”, comparou. Por isso, para ele, “o transporte precisaria ser paralisado imediatamente”, assim como várias categorias trabalhadoras. A conclusão é de que o resto das medidas é inócua se “não for feito nada no transporte público”.

Rui afirma ainda que “desmarcar o ato indica que a política das direções da esquerda é de que a mobilização da população é uma coisa desnecessária. Isso significa colocar todo mundo na mão do poder público. Isso é absurdo”. Até porque, ressalta, “a população pobre não vai para casa” e será a que mais sofrerá com o governo, “a maior ameaça”, segundo o presidente do PCO. Por isso, “desmobilizar é a pior política, independentemente do ato. Há uma tendência geral de desmobilização. Isso vai custar caro para a população”.

Como enfrentar

Para Rui Costa Pimenta, ao contrário do que está sendo feito pela esquerda, seria preciso mobilizar ainda mais. Por exemplo, ele ressalta a necessidade de criar “em todas as empresas se criasse uma comissão de trabalhadores para tratar desse problema”. Se não houver mobilização, os trabalhadores serão vítimas impotentes dos empresários e do sistema, diz.

Além disso, defende organizar greves, pois há setores que não podem trabalhar. Entre as propostas de Rui Costa Pimenta está “exigir dos patrões e do governo que paralise os trabalhos e dê licença paga para os trabalhadores”. Ele ressalta que “com a crise, milhões de pessoas vão perder o emprego”, por isso, “os sindicatos deveriam exigir do governo e lutar contra as demissões dos trabalhadores”.

O PCO, ademais, lançou uma série de propostas para combater o coronavírus. Confira aqui.

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