Rui Costa sobre 64: é um crime o que foi feito e os criminosos continuam aí

À TV 247, o presidente do PCO, Rui Costa Pimenta, afirmou que a ditadura foi um crime contra os brasileiros e que os responsáveis não foram punidos até hoje; ele fez um resgate histórico do que foi a ditadura militar no Brasil nos campos da educação, da cultura e da censura, além dos aspectos econômicos e de corrupção; assista

Rui Costa sobre 64: é um crime o que foi feito e os criminosos continuam aí
Rui Costa sobre 64: é um crime o que foi feito e os criminosos continuam aí

247 - O presidente do PCO, Rui Costa Pimenta, analisou o período da ditadura militar no Brasil como um crime e lembrou que os responsáveis ainda não foram punidos. Em análise feita à TV 247 nesta semana, ele também lembrou que a corrupção no período do regime militar era desenfreada.

"É um crime o que foi feito contra os brasileiros em 1964, os criminosos continuam aí. Todo o alto comando das Forças Armadas é a favor do golpe de 64, quer dizer que eles são inimigos de todos os direitos democráticos e sociais da população, essa conversa de salvar o país é pura balela, quem conhece a história da ditadura sabe disso. Foi um período de governo mais criminoso que o Brasil já teve, pior ainda do que o Estado Novo de 1937 e a corrupção esteve nas alturas, na época era muita denúncia de corrupção, era totalmente desenfreada, muito maior que agora", disse o presidente.

Rui Costa Pimenta ainda disse que os militares destruíram a educação durante a ditadura, bem como a cultura. "A educação é uma das grandes realizações destrutivas da ditadura. Eles assinaram um acordo com os norte-americanos no sentido de transformar o Ensino Superior brasileiro, que naquele momento estava crescendo, em uma espécie de ensino técnico um pouco mais luxuoso. Essa obra contra a educação é, provavelmente, até pior que a economia em geral porque a educação compromete o desenvolvimento econômico do país de uma maneira fundamental."

Ele também lembrou das consequências da censura aplicada pelo regime militar. "O país ficou paralisado por muito tempo por causa da censura, você não tinha um monte de coisa que você deveria ler para ser uma pessoa culta. Naquela época você vivia em um clima de obscurantismo, não podia discutir, ler, falar, não podia nada. Imagine o que isso não significa em termos de retrocesso intelectual para o país".

O presidente do PCO explicou que a gravidade da censura é permitir que ideias absurdas se difundam sem nenhum tipo de obstáculo. "Veja esse maluco do Bolsonaro que fala que o nazismo era de esquerda, imagine em uma ditadura, você nem argumenta. Então essas ideias que contrariam a realidade podem ser impostas sem contestação, por isso que eles têm medo da cultura e são verdadeiros inimigos de toda a cultura, se eles pudessem acabariam com uma grande quantidade daquilo que a gente entende por cultura".

Rui Costa Pimenta ainda criticou o presidente Jair Bolsonaro por querer instaurar um clima de ditadura no Brasil. "Se o Bolsonaro conseguisse fazer o que ele quer ele colocaria o país em uma situação igual a que havia na ditadura militar, a nossa sorte é que ele não consegue. Se o bolsonarismo conseguir se impor ele estabeleceria um regime de tipo fascista, tudo que ele faz vai nesse sentido, por isso que é preciso lutar intensamente contra e impor uma derrota muito grande à extrema direita brasileira".

Sobre o risco de um novo golpe, o presidente do PCO diz não acreditar em uma volta do regime militar neste momento. "Acho que não há condições de fazer isso nesse momento e a própria iniciativa de governo de comemorar o golpe de 64 mostrou isso, a reação foi enorme. No fundo todo mundo sabe que a briga não é sobre uma interpretação do passado, é uma ameaça que está aqui, colocada no presente. Ninguém quer saber de um governo militar, de um governo autoritário de nenhuma natureza".

Ele também lembrou do vídeo pró-ditadura divulgado no último domingo (31) por meio de veículos oficiais do governo. Para Rui Costa Pimenta, os responsáveis devem ser punidos.

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