Safatle alerta para um governo de milícias
"Seu discurso, que inclui celebração da violência, caça àqueles que não pensam como ele, metralhar opositores e louvação à tortura, libera a parcela fascista da população brasileira a agir como milicianos - na pior das tradições dos camisas negras italianos", diz o filósofo Vladimir Safatle, em sua coluna na Folha de S.Paulo
247 - Em sua coluna publicada no jornal Folha de S.Paulo, o filósofo Vladimir Safatle recorda os casos recentes de agressões cometidos por simpatizantes do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), questiona: "alguém se lembra de algum bolsonarista que apareceu com escoriações de foice e martelo?. Ou de alguém assassinado por suas posições políticas de extrema direita? Na verdade, as 'perseguições' seriam o fato de eles serem 'xingados com os piores adjetivos'".
"Uma velha tática de chefe de gangue que prefere se fazer de vítima, criando similitudes absurdas em vez de assumir responsabilidades e garantir o respeito aos seus opositores. Bolsonaro, mais uma vez, falou sobre o ataque que ele sofreu. Mas, se o ataque foi perpetrado por alguém claramente portador de transtorno mental grave, ele não foi vítima de nenhum 'complô político'. Diga-se de passagem, todos os candidatos, sem exceção, demonstraram solidariedade ao ocorrido - o que se espera em situações dessa natureza", diz.
De acordo com o estudioso, "tudo isso mostra como será o modo normal de funcionamento de seu governo". "Seu discurso, que inclui celebração da violência, caça àqueles que não pensam como ele, metralhar opositores e louvação à tortura, libera a parcela fascista da população brasileira a agir como milicianos - na pior das tradições dos camisas negras italianos".
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