Safatle: "Eleição foi uma fraude e não há razão para respeitá-la"

"O que vimos no ano passado foi uma eleição fraudada, viciada, montada em todas as peças para ter o resultado que teve. Não há razão alguma para respeitá-la... Não há eleição real quando se escolhe quem pode e quem não pode concorrer", diz Vladimir Safatle

Safatle: 'sr. Jair Messias, nossa bandeira será vermelha'
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247 - Em artigo publica no El País, o filósofo Vladimir Safatle afirma que, diante das revelações pelo The Intercept com a Vaza Jato, fica claro que "não houve eleição e não há presidente.

"O que vimos foi simplesmente um processo sem condição alguma de preencher critérios básicos de legitimidade. Ou seja, uma farsa, mesmo para os padrões elásticos da democracia liberal", enfatiza Safatle. 

"O que vimos no ano passado foi uma eleição fraudada, viciada, montada em todas as peças para ter o resultado que teve. Não há razão alguma para respeitá-la. Uma eleição real pede partidos livres, possibilidade de todos se candidatarem e não interferência de poderes extra-eleitorais nos processos em curso. Não há eleição real quando se escolhe quem pode e quem não pode concorrer", afirma

Para ele, o Brasil segue sem presidente. "Quem está no poder sabe tanto disto que sequer finge governar para a maioria do povo brasileiro. O sr. Bolsonaro governa para os porões da caserna de onde saiu, além de governar para consolidar a mobilização dos 30% da população brasileira que seguirão lhe apoiando. Ele sabe que este é seu teto".

Sobre a Vaza Jato, Safatle afirma que a descrição correta das mensagens trocadas pelo então juiz Sergio Moro com o procurador Deltan Dallagnol "só pode ser uma rede de corrupção".

"O sr. Moro e seus asseclas utilizaram dinheiro público como se fosse privado (no caso do pedido do sr. Dallagnol para uso de 38.000 reais da 13ª Vara para o pagamento de campanha publicitária), aproveitaram-se financeiramente da condição de servidores públicos com informações privilegiadas (ao, em meio a processo envolvendo alguns dos maiores agentes econômicos nacionais, serem pagos em palestras milionárias), tentaram tomar para si a gestão de 2,5 bilhões de reais da Petrobras por meio da criação de uma fundação privada: tudo em nome ao combate à corrupção", lembra.

O filósofo também rebateu o discurso de apoiadores de Moro, que dizem que era necessário “quebrar as regras” para conseguir enfim combater o pior de todos os males: a corrupção. 

"Na verdade, o sr. Moro quebrou todas as regras possíveis para benefício próprio, ou seja, para prender o candidato à Presidência que impedia seu próprio projeto pessoal de se tornar presidente em 2022. Ninguém que tem interesse pessoal em um processo pode ser o juiz do mesmo. Mas como ninguém parou o sr. Moro, ele pode ser agora catapultado para o centro da política brasileira pelas mãos de um político que ele, mais do que ninguém, elegeu ao tirar o primeiro colocado de circulação, ao alimentar o noticiário com notícias construídas tendo em vista o calendário eleitoral", frisou.

Confira a íntegra do artigo no El Pais.

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