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Sakamoto critica ‘incapacidade da Vale e incompetência de autoridades’

O que ocorreu em Brumadinho (MG) é "resultado da incapacidade da Vale em garantir que suas operações não matem seres humanos, poluam a água, contaminem o solo e destruam o meio ambiente e da incompetência de autoridades dos Três Poderes em punir devidamente a empresa quando ela causa tragédias ou prevenir antes que isso aconteça", diz o jornalista Leonardo Sakamoto

Sakamoto critica ‘incapacidade da Vale e incompetência de autoridades’ (Foto: Dir.: Washington Alves - Reuters)

247 - "Palavras são importantes. O que ocorreu, nesta sexta (25), em Brumadinho (MG) não foi um simples acidente e as mortes decorrentes tampouco são fruto do acaso", diz o jornalista Leonardo Sakamoto, em seu blog no Uol." O que ocorreu é resultado da incapacidade da Vale em garantir que suas operações não matem seres humanos, poluam a água, contaminem o solo e destruam o meio ambiente e da incompetência de autoridades dos Três Poderes em punir devidamente a empresa quando ela causa tragédias ou prevenir antes que isso aconteça".

De acordo com o jornalista, "investigações vão apontar o que levou ao rompimento, mas o uso irresponsável da palavra 'acidente' faz crer que tudo isso seria inevitável, concedendo à sorte e ao azar uma responsabilidade que está nas mãos de empresas e governos".

"Eu estive em Mariana no dia do desastre e escrevi aqui que, pouco depois do mar de lama chegar à praia onde o rio Doce encontra o mar, as manchetes seriam substituídas por outras tragédias. Mas que exatamente a mesma coisa aconteceria de novo em Minas Gerais e que o cronômetro já tinha sido posto em contagem regressiva. Com a anuência não só do Estado, que peca pela falta de fiscalização e punição, mas também de parte da imprensa e da sociedade, que dedicam mais tempo ao monitoramento do poder político do que ao comportamento danoso dos atores econômicos", afirma.

"Nossa legislação deveria ser rigorosa na responsabilização das empresas, nas ações de prevenção, na garantia de estrutura para fiscalização e nas situações em que a proibição de exploração é o único caminho".