HOME > Brasil

Sakamoto: E, no final, Lula reescreveu a história de sua própria prisão

"E, no final, Lula conseguiu o que queria. Ao invés de obedecer ao roteiro proposto pelo juiz federal Sérgio Moro e comparecer por conta própria à Polícia Federal, em Curitiba, no final da tarde desta sexta (6), o ex-presidente fez com que fossem busca-lo, no começo da noite deste sábado, no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, onde esperava rodeado por milhares de militantes e eleitores", diz o jornalista Leonardo Sakamoto; "Gostando-se ou não dele, há de se convir que é a liderança política mais importante que o país produziu na segunda metade do século 20", afirma Sakamoto

"E, no final, Lula conseguiu o que queria. Ao invés de obedecer ao roteiro proposto pelo juiz federal Sérgio Moro e comparecer por conta própria à Polícia Federal, em Curitiba, no final da tarde desta sexta (6), o ex-presidente fez com que fossem busca-lo, no começo da noite deste sábado, no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, onde esperava rodeado por milhares de militantes e eleitores", diz o jornalista Leonardo Sakamoto; "Gostando-se ou não dele, há de se convir que é a liderança política mais importante que o país produziu na segunda metade do século 20", afirma Sakamoto (Foto: Paulo Emílio)

247 - "E, no final, Lula conseguiu o que queria. Ao invés de obedecer ao roteiro proposto pelo juiz federal Sérgio Moro e comparecer por conta própria à Polícia Federal, em Curitiba, no final da tarde desta sexta (6), o ex-presidente fez com que fossem busca-lo, no começo da noite deste sábado, no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, onde esperava rodeado por milhares de militantes e eleitores. Escoltado pela Polícia Federal, dirigiu-se até a sede da instituição e de lá para o aeroporto de Congonhas e a capital do Paraná", diz o jornalista Leonardo Sakamoto.

"Ele não conseguiu controlar os desdobramentos da Lava Jato, vendo sua escolhida sofrer impeachment, seus aliados serem perseguidos e presos e as denúncias e processos se avolumarem contra ele. Também não conseguiu impedir que ele próprio se tornasse o preso mais famoso da operação e, segundo os críticos, razão principal de sua existência, devido à escancarada seletividade partidária. Contudo, se era incapaz de manter sua liberdade, a principal liderança popular brasileira conseguiu reescrever a narrativa de sua própria prisão. Ele queria que o registro que ficasse para a posteridade desse momento fosse o do antigo líder de massas, protegido e carregado pelo povo, no sindicato que é seu berço político e um dos símbolos da luta pela redemocratização do país. E não imagens de um Lula derrotado, caminhando em direção ao seu carrasco para a execução de sua pena", observa.

"Desejava ter controle da história de sua prisão não apenas para garantir sua popularidade e, portanto, influência nos processos decisórios do PT e nas eleições de outubro, mas também orientar o sentido do discurso a ser adotado por seu partido e por parte dos movimentos sociais da esquerda daqui em diante. Não é à toa que manteve perto de si durante esses dias de trincheira montada no sindicato tanto Guilherme Boulos, coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), quanto a deputada estadual Manuela D'Ávila (PC do B – RS), pré-candidatos à Presidência da República. Ele precisa deles para o futuro, mas eles precisam dele para o presente. Lula desejava, acima de tudo, defender o seu legado. Gostando-se ou não dele, há de se convir que é a liderança política mais importante que o país produziu na segunda metade do século 20", afirma Sakamoto.

Leia a íntegra no Blog do Sakamoto.