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Salles se isenta de tragédia ianomâmi, culpa militares e diz ser "exagero" se referir à crise humanitária como genocídio

“Há problemas graves na região, mas a definição jurídica não me parece a mais adequada”, disse o ex-ministro do Meio Ambiente do governo Bolsonaro

Ricardo Salles e indígena yanomami carrega seu filho de quatro anos que recebe cuidados médicos para desnutrição em Boa Vista (Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados | Amanda Perobelli/Reuters)

247 - O deputado federal Ricardo Salles (PL-SP), culpou o que qualificou de "fragilidades institucionais" e a inação dos militares pela crise humanitária no território Indígena Ianomâmi. “Como era de se esperar, usou mistificações bolsonaristas para se isentar de culpa”, diz o colunista Chico Alves, do UOL sobre uma entrevista do ex-ministro do Meio Ambiente do governo Jair Bolsonaro (PL) concedida ao portal de notícias nesta quinta-feira (9). 

"O que está acontecendo agora e que neste um ano e meio passado não aconteceu? O envolvimento grande da única força, o único vetor público que tem condições de atuar naquela região, que são as Forças Armadas", disse Salles na entrevista. 

Ainda segundo ele, “só as Forças Armadas têm condições de atuar de maneira efetiva no combate e ao asfixiamento das atividades ilegais naquela região".

Para o colunista, as declarações do ex-ministro representam “mais um motivo para que os militares se expliquem ou que a investigação sobre as causas da calamidade ianomâmi se volte para aqueles que comandaram as tropas até o fim do ano passado”.

Na entrevista, Salles também negou que tenha facilitado a entrada do garimpo ilegal na terra indígena enquanto esteve à frente do ministério e minimizou a inação do governo Bolsonaro para enfrentar o problema. “A responsabilidade sobre aquela situação é conjunta de toda sociedade brasileira. A sociedade ignora a situação dos indígenas e não encontra solução intermediária”, disse. 

O ex-ministro também disse considerar "um pouco exagerado" se referir à crise humanitária enfrentada pelos ianomâmis como um genocídio. “Há problemas graves na região, mas a definição jurídica não me parece a mais adequada”, ressaltou ele na entrevista.

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