Será que Joaquim Barbosa sofre bullying racial?

É o que pensa a jornalista Ana Alakija, editora da Agência Afro-Latina e Euro-Americana de Informação; em artigo sobre a ida do ministro a uma roda de samba, no Rio, na última segunda, ela diz que a repercussão deste fato soma-se a outras críticas que o colocam na condição de “vítima de bullying e assédio racial”; segundo a jornalista, em contraponto às acusações contra Barbosa de que as prisões dos condenados na Ação Penal 470 foram ilegais, foi criada, nas redes sociais, a campanha "Vamos abraçar Joaquim Barbosa e o STF", com o objetivo de apoiar as ações do presidente do STF; vitimização pode ser mais um passo na campanha à presidência da República

É o que pensa a jornalista Ana Alakija, editora da Agência Afro-Latina e Euro-Americana de Informação; em artigo sobre a ida do ministro a uma roda de samba, no Rio, na última segunda, ela diz que a repercussão deste fato soma-se a outras críticas que o colocam na condição de “vítima de bullying e assédio racial”; segundo a jornalista, em contraponto às acusações contra Barbosa de que as prisões dos condenados na Ação Penal 470 foram ilegais, foi criada, nas redes sociais, a campanha "Vamos abraçar Joaquim Barbosa e o STF", com o objetivo de apoiar as ações do presidente do STF; vitimização pode ser mais um passo na campanha à presidência da República
É o que pensa a jornalista Ana Alakija, editora da Agência Afro-Latina e Euro-Americana de Informação; em artigo sobre a ida do ministro a uma roda de samba, no Rio, na última segunda, ela diz que a repercussão deste fato soma-se a outras críticas que o colocam na condição de “vítima de bullying e assédio racial”; segundo a jornalista, em contraponto às acusações contra Barbosa de que as prisões dos condenados na Ação Penal 470 foram ilegais, foi criada, nas redes sociais, a campanha "Vamos abraçar Joaquim Barbosa e o STF", com o objetivo de apoiar as ações do presidente do STF; vitimização pode ser mais um passo na campanha à presidência da República (Foto: Valter Lima)

247 - O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, a maior autoridade do Judiciário brasileiro, que tem amplo apoio da mídia conservadora, precisa de defensores? Para a jornalista Ana Alakija, editora da Agência Afro-Latina e Euro-Americana de Informação, sim. Ela vê Barbosa como uma “vítima de bullying e assédio racial”, conforme escreveu em artigo sobre a ida do ministro a uma roda de samba, no Rio de Janeiro, na última segunda-feira de 2013.

Segundo ela, após a emissão de ordem de prisão dos condenados na Ação Penal 470, o mensalão, Barbosa "foi vítima de uma campanha encabeçada por juristas, intelectuais e personalidades da sociedade civil, que assinaram e publicaram um manifesto na Internet e ainda derramaram artigos e notícias na imprensa contra o que eles consideraram prisões ilegais".

Por isso, Ana Alakija faz parte de um grupo que criou a campanha "Vamos abraçar Joaquim Barbosa e o STF", que surgiu no e-black-group (um grupo no Google) “Discriminação Racial”, de iniciativa do advogado Humberto Adami, co-fundador do Instituto de Advocacia Racial e Ambiental e vice presidente da Comissão Nacional da Igualdade do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil.

O projeto prevê uma petição online a "ser assinada por todos aqueles que repudiam a campanha desonesta, vil, e evidentemente racista, contra um brasileiro que tem cumprido fielmente suas obrigações constitucionais, e trazido orgulho, de norte a sul do pais, para a população brasileira”. Não há informações sobre a quantidade de assinaturas que a campanha já coletou.

Leia aqui o manifesto de diversos intelectuais sobre o que consideram arbitrariedades e abusos cometidos por Joaquim Barbosa na condução da Ação Penal 470. Além disso, Joaquim Barbosa também divide a comunidade afro. O deputado Edson Santos, ex-ministro de Promoção da Igualdade, citando o poeta Cruz e Souza (1861-1898), afirmou que “Os negros que seguram o chicote para bater em outros negros não são meus irmãos.”

Abaixo o texto de Ana Alakija na íntegra:

2013: Será que desta vez caiu o mito?

No Brasil tudo acaba em samba. No bom sentido, desde que samba é coisa séria, como dizia o mestre capoeirista baiano Cobrinha Verde. E assim, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa seguiu à risca a letra da cartilha e, com direito à cervejinha, caiu no Samba do Trabalhador, na última tradicional roda de samba do ano de 2013 organizada às segundas-feiras no Clube Renascença, no Andaraí, Rio de Janeiro. O ministro foi recebido como celebridade no local, considerado um reduto da cultura negra.

Isto soa como uma pré-campanha à presidência da República – será o ministro Joaquim Barbosa o próximo primeiro presidente negro do país? Digo isto porque o Brasil, embora um país mestiço, conserva as características pluriraciais de identidades diversas, e com uma grande desvantagem para as identidades africanas e indígenas, com essas populações descendentes à margem do poder político e econômico.

Embora a nação brasileira esteja comemorando ‘apenas’ dez anos de idade em ações afirmativas – política implantada durante a administração de Luis Ignacio Lula da Silva – em dezembro deste ano, o Brasil branco ouviu um Grupo de Trabalho sobre Afro-Descendentes das Nações Unidas , depois de dez dias de visitar a nação brasileira, o que o Brasil negro já sabe desde que o país aboliu o sistema de escravidão, em 1888 : o Brasil não é uma democracia racial.

A conclusão de um Grupo de Trabalho das Nações Unidas sobre Afrodescendentes após visita de dez dias à nação brasileira, onde visitou favelas e quilombos de cinco cidades, com autoridades e representantes da sociedade civil, apontou um grande contraste entre a precariedade da situação dos negros e o elevado crescimento econômico do país.

O GT visitou favelas e quilombos de cinco cidades, com autoridades e representantes da sociedade civil, e apontou um grande contraste entre a situação precária dos negros e do elevado crescimento econômico. ” Afro – brasileiros não serão totalmente considerados cidadãos de pleno direito , sem uma justa distribuição do poder econômico , político e cultural “, disse Mireille Fanon (da França ) e Maya Sahli ( Argélia ) , membros desse grupo, como resultados preliminares de sua visita e cujo relatório conclusivo será apresentado em 2014.

Em comunicado à imprensa, divulgado pela Agência Brasil, os especialistas da ONU destacaram que, entre negros e brancos, existem desigualdades de acesso à educação, à justiça, à segurança e aos serviços públicos. O grupo identificou racismo “nas estruturas de poder, nos meios de comunicação e no setor privado”. Segundo os representantes da ONU, apesar de serem metade da população brasileira, os negros estão “subrrepresentados e invisíveis”.

A constatação pela ONU, de que o racismo é um problema estrutural na sociedade brasileira, mostra que o Brasil, para os afro-brasileiros está fazendo a coisa certa. Houve progressos significativos em 2013 no sentido de colidir com esta realidade .

Não apenas no campo executivo oficial , como a aprovação e encaminhamento de projetos de lei nos níveis municipal , estadual e federal instituindo cotas para descendentes africanos em concursos públicos . Mas outras vitórias sob pressão social, como: a introdução do curso de Relações Étnico-Raciais no currículo de universidades federais (essa disciplina é essencial para a formação de professores e profissionais de ensino para a implantação de outras disciplinas como a História da Cultura Africana e Afro-Brasileira nos níveis médio e fundamental do ensino conforme lei aprovada há dez anos e sem funcionamento); e o embargo de recursos públicos para a compra, distribuição e utilização nas escolas de obras de Monteiro Lobato (referência da rede particular de ensino do DF, consideradas tão ofensivas a afrodescendentes quanto a de Mark Twain) “sem que antes se acrescente uma nota técnica sobre racismo à obra ou pelo menos que existam medidas concretas para a capacitação de professores em educação étnico-racial”. Como explica o presidente do Instituto de Advocacia Racial e Ambiental (Iara) , Humberto Adami, e o técnico em Educação, Antônio Costa Neto, autores dos mandados judiciais impetrados.

Voltando à cervejinha e o samba desfrutados pelo ministro Barbosa, são bem merecidos . Vítima de bullying e assédio racial (assim como o presidente Obama e as práticas abomináveis republicanas do seu Congresso) desde que ele foi nomeado ministro pelo ex-presidente Lula e, mais tarde eleito presidente do Supremo Tribunal Federal , no estilo do racismo brasileiro e que, mesmo ele próprio não tem como provar a acusação ( a lei brasileira contra o racismo está obsoleta ), o primeiro ministro verdadeiramente negro do STF na história da nação que tem mais da metade da população composta de descendentes africanos, fez cumprido a sua missão.

Após condenação e emissão de ordem de prisão de 25 cidadãos ligados à cúpula do Partido dos Trabalhadores, o chamado caso “Mensalão” – canal através de onde transcorria dinheiro, de forma organizada, para políticos aliados com o objetivo de aprovar matérias do interesse governamental – ele foi vítima de uma campanha encabeçada por “juristas, intelectuais e personalidades da sociedade civil”, que assinaram e publicaram um manifesto na Internet e ainda derramaram artigos e notícias na imprensa contra o que eles consideraram “prisões ilegais”.

O Brasil dos afro-brasileiros respondeu à altura, lançando a campanha “Vamos abraçar Joaquim Barbosa e o STF” através das redes sociais, iniciada em e-black-groups , com o objetivo de apoiar as ações do presidente do Supremo Tribunal Federal do país e a moralização do órgão em sua decisão.

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