Serraglio repete teoria racista e diz reconhecer criminoso “pelo olhar”

O ministro da Justiça recém empossado, Osmar Serraglio, afirmou que consegue identificar um potencial criminoso ao "olhar nos olhos" dele

Brasília - Novo ministro da Justiça e Segurança Pública, Osmar Serraglio, discursa na solenidade de transmissão de cargo no ministério (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
Brasília - Novo ministro da Justiça e Segurança Pública, Osmar Serraglio, discursa na solenidade de transmissão de cargo no ministério (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil) (Foto: Gisele Federicce)

Do Justificando - O ministro da Justiça recém empossado, Osmar Serraglio, afirmou nesta quinta-feira (9) que consegue identificar um potencial criminoso ao "olhar nos olhos" dele. A afirmação foi feita em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, assim que assumiu o cargo nesta terça-feira (7), quando o ministro foi questionado sobre qual a proposta para a superlotação dos presídios. Veja a resposta completa:

Existem bandidos e bandidos, como em qualquer circunstância. Os bandidos de menor gravidade precisam de outro tratamento. Um exemplo que eu tenho dado é do usuário e do traficante. Um grupo de estudantes viciados, usuários. Na hora que te pegarem, você vai preso como um traficante. Outros são aqueles que você olha nos olhos e quer passar longe. É um potencial assaltante, criminoso. A gente não quer isso nas ruas.

Serraglio, que é conhecido por sua posição contrária aos direitos indígenas e sua aliança com Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ocupa a vaga deixada por Alexandre de Moraes, novo ministro no Supremo Tribunal Federal (STF).

O ministro disse ainda que nunca defendeu anistia a Cunha e que este é um erro da imprensa. Quando questionado sobre a articulação com o peemedebista para ser presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), Serraglio disse, no entanto, que é mentira, uma vez que ele "brigou pelo seu lugar".

Sobre a fala de Serraglio, o delegado de polícia civil do Rio de Janeiro Orlando Zaccone manifestou em suas redes sociais. Para ele, "a Justiça sempre retirou a venda para olhar nos olhos da 'ralé' e identificar os verdadeiros criminosos! Nunca se esqueçam que a 'policização' do Judiciário não começou com o ministro Alexandre de Moraes". A seletividade punitiva parte de um olhar policial, que se prolonga no olhar de promotores de justiça e magistrados".

Já o Promotor de Justiça Haroldo Caetano, lembrou do médico do Século XIX, Cesare Lombroso, que fez muito sucesso na época com a teoria de que conseguia distinguir quem tinha tendência à criminalidade apenas pelas características físicas. Teoria do médico ficou conhecida como uma das mais racistas, visto que ele descrevia o criminoso com os traços de pessoas negras. "Lombroso assume o Ministério da Justiça anunciando velhas novidades", afirmou o promotor.

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