Sindicalista não acredita em sinais de sabotagem no caso do apagão
Entrevista com Diretor de Políticas Energéticas do Sintergia revela preocupações com as consequências do processo de privatização e redução de trabalhadores na Eletrobras
247 - Em uma entrevista à TV 247, Emanuel Mendes Torres, funcionário da Eletrobrás e diretor de Políticas Energéticas do Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Energia do Rio de Janeiro e Região (Sintergia), expressou sérias preocupações sobre o estado da Eletrobrás e as recentes demissões de trabalhadores, que podem ter contribuído para o apagão ocorrido na última terça-feira.
"O processo de sucateamento da Eletrobras ao longo dos anos, marcado por demissões em massa e falta de investimentos, tem gerado um cenário alarmante", alertou Torres. Ele destacou a redução drástica no número de funcionários: "Tínhamos doze mil trabalhadores em 2020, e agora restam apenas sete mil. Isso é significativo considerando a extensão das operações da empresa em todo o país", acrescentou.
O diretor enfatizou como os planos de incentivo implementados de maneira irresponsável impactaram a operação da Eletrobras: "Reduzir o pessoal em locais essenciais, como subestações, compromete a capacidade de restabelecer o sistema após um apagão. O número de trabalhadores experientes foi reduzido drasticamente, o que é extremamente preocupante."
Torres apontou para a mudança de foco da Eletrobras após a privatização: "A empresa parece estar mais interessada em lucros rápidos do que em manter sua função operacional. As demissões irresponsáveis e o enfraquecimento de setores cruciais têm afetado diretamente a capacidade de lidar com situações de crise, como apagões."
A entrevista também abordou a privatização da Eletrobrás e seu processo conturbado. "Foi uma negociação sem precedentes na história do país, visando principalmente ganhos eleitorais e interesses financeiros", disse Torres. Ele destacou que a venda da Eletrobras estava relacionada a interesses eleitorais e financeiros, levando à inserção de medidas controversas e duvidosas no processo.
Em relação ao recente apagão, Torres expressou suas opiniões sobre a possível causa: "Não acredito que tenha havido sabotagem. Parece estar mais relacionado à falta de manutenção preventiva devido ao desmonte das empresas. A redução de pessoal experiente pode ter contribuído para essa situação."
No entanto, Torres reconheceu a falta de informações claras sobre o ocorrido: "Ainda não temos uma resposta definitiva sobre o que realmente aconteceu no apagão. Há informações circulando, mas não temos uma compreensão completa da substituição que ocorreu."
Em meio a essas preocupações, a entrevista de Torres ressalta a importância de abordar com seriedade as implicações da privatização da Eletrobrás e as demissões de trabalhadores. Ele apela para uma ação decisiva por parte das autoridades para evitar crises futuras que possam afetar gravemente o fornecimento de energia elétrica no Brasil. Assista à entrevista:
