Síndrome de Capitão Nascimento

Tropa de Elite fez mal ao Brasil. E a ordem é bater no bandido, no cidadão e até nos bombeiros

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Os filmes Tropa de Elite fizeram mal ao Brasil. Capitão Nascimento virou o símbolo da permissão à violência contra tudo e contra todos. Está com algum problema? Solta a porrada. O heroísmo do personagem é a referência para o Batalhão de Operações Especiais (Bope) agir da maneira que for mais conveniente, desde que tenha confronto com pancadas em quem estiver na frente. A truculência é permitida para quem veste o uniforme “dos Cavera”. Aliás, permitida não. É obrigação, seja no bandido, no cidadão e, até, nos bombeiros, como aconteceu na madrugada do dia 4.

Sai da frente, o Bope está chegando. Ao invés do respeito, o medo. Exatamente o oposto do que a população tem pelos bombeiros: respeito extremo por aqueles que salvam vidas em perigo. É bom lembrar que a greve é um direito constitucional. O país está crescendo economicamente e é natural que todos queiram aumentar os seus salários. E os bombeiros, que lidam com o risco de morte diariamente, querem aumentar seus ganhos que não chegam a dois salários mínimos para quem começa na corporação. Eles exageraram? Podem até ter passado dos limites em arrancar colegas do trabalho, furar os pneus dos caminhões e “tomar” o quartel. Mas não levantaram paus, pedras ou armas. Aliás, eles trabalham com água, um dos quatro elementos vitais. E o Bope? Também usa outro elemento vital: a arma – de fogo, de borracha, spray de pimenta ou mesmo a branca, com seus cassetetes e escudos da Idade Média.

A ferocidade desmedida do Bope tem sido semelhante à do período da repressão. Primeiro o soco, depois a pergunta. Prenda-se quem bagunçar a ordem “pede pra sair” estabelecida por eles. Se deixar fazer o que eles bem entenderem, vamos criar a Lei Capitão Nascimento que terá, no seu primeiro parágrafo: pega um, pega geral e também vai pegar você.

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