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Sob Bolsonaro, caem os investimentos do governo em ações para índios, quilombolas e igualdade racial

Só R$ 139 milhões foram usados em ações finalísticas da Funai, ou seja, aquelas que têm impactos diretos em benefício das comunidades indígenas

Sob Bolsonaro, caem os investimentos do governo em ações para índios, quilombolas e igualdade racial (Foto: Ricardo Stuckert)

247 - O governo Jair Bolsonaro (PL) investiu em 2021 menos em ações diretas em benefício das populações indígenas e quilombolas. Também caiu o orçamento para a promoção da igualdade racial, segundo Balanço do Orçamento Geral da União 2021 realizado pelo Inesc (Instituto de Estudos Socioeconômicos), divulgado pela Folha de S. Paulo.

De acordo com o Inesc, em 2021 foram autorizados R$ 746,34 milhões para a Funai (Fundação Nacional do Índio), mas só R$ 139,80 milhões foram usados em ações finalísticas do órgão, ou seja, aquelas que têm impactos diretos nas comunidades indígenas. Dentro das ações finalísticas estão compreendidas a proteção e promoção dos direitos dos povos indígenas, gestão ambiental e territorial, incentivo à sustentabilidade das comunidades de acordo com seus modos de vida, ações de caráter assistencial, como distribuição de cestas básicas, incentivo à participação nas políticas públicas, entre outros.

Os recursos para estes tipos de ações diminuíram R$ 36 milhões entre 2019 e 2020. Entre 2020 e 2021, graças ao montante direcionado ao enfrentamento da Covid-19 entre comunidades indígenas, a verba aumentou em R$ 30 milhões.

Segundo o estudo, 70% da verba em 2021 foi utilizada para pagamento de pessoal e encargos sociais, seguindo um padrão de anos anteriores. "Embora essa despesa chame a atenção, isso não implica dizer que se gasta muito com os servidores da Funai. O recurso é pouco para dar conta de uma estrutura enxuta de funcionamento e ainda realizar as políticas finalísticas. O quadro de funcionários segue defasado, sem realização de concursos", diz Leila Saraiva, assessora política do Inesc.

Com relação à Promoção da Igualdade Racial, tema sob o guarda-chuva do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, o recurso autorizado para 2021 foi de apenas R$ 3 milhões. Em 2020, nenhum recurso foi autorizado para gasto.

Para o favorecimento de quilombolas, o Inesc diz que foram autorizados apenas R$ 340 mil - aproximadamente - para a ação de reconhecimento e indenização de territórios quilombolas, dos quais foram pagos R$ 164 mil, além de restos a pagar de anos anteriores no valor de R$ 792,4 mil, somando uma execução financeira de R$ 956,3 mil.

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