Stédile: ‘80% do povo não quer governo Temer-Cunha’
O líder do MST, João Pedro Stédile, reforçou a sua posição contrária ao golpe contra a presidente Dilma alegando que "a votação do que está em uma semana decisiva, explicita os interesses das classes dominantes e a disposição delas em reverter os prejuízos decorrentes da crise econômica mundial. É a luta de classes nos gabinetes"; "Esse projeto das elites está sendo apresentado pelo PMDB sob a forma do que seria um futuro governo Temer"; "ele afirma que "80% da população não aceita um governo Temer-Cunha-Mendes, nem um programa neoliberal, que vai trazer ainda mais problemas para o povo brasileiro; "Então, se houver golpe, a crise política se aprofundará, e não haverá saída a curto prazo"
247 - O líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, reforçou a sua posição contrária ao impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) alegando que "a votação do impeachment, que está em uma semana decisiva, explicita os interesses das classes dominantes e a disposição delas em reverter os prejuízos decorrentes da crise econômica mundial. É a luta de classes nos gabinetes."
"Esse projeto das elites está sendo apresentado pelo PMDB sob a forma do que seria um futuro governo Temer. Então, o que está em jogo é se
voltaremos ao neoliberalismo ou não. É para isso que eles precisam tirar a presidenta Dilma. E isso é elemento central da luta de classes, que se
acirra", diz.
Stédile afirma que, se houver golpe, haverá "um governo de crise com desfecho imprevisível, pois 80% da população não aceita um governo Temer-Cunha-Mendes, nem um programa neoliberal, que vai trazer ainda mais problemas para o povo brasileiro. Então, se houver golpe, a crise política se aprofundará, e não haverá saída a curto prazo".
Segundo o líder do MST, "a luta de classes usa armas de fogo. Em Quedas de Iguaçu (PR), a aliança entre oligarquias e governos locais matou dois trabalhadores rurais (no último dia 7), justamente no mês em que relembramos os 20 anos do Massacre dos Carajás".
"O que aconteceu no Paraná foi uma provocação organizada pelo secretário da Casa Civil do Governo do Estado, que tem laços históricos, financeiros e políticos com a empresa que grila a terra que pertence à União. Ele quis mostrar serviço aos seus patrocinados e promoveu a provocação que levou às duas mortes".
Para Stédile, "essa tragédia demonstra como as elites reagem quando se sentem impunes. Foi nesse mesmo contexto que aconteceram, há 20 anos, os massacres de Carajás, Corumbiara, sem contar os massacres nas cidades, em pleno governo FHC. Porque a vitória político-ideológica do neoliberalismo nas urnas sinalizou às elites mais truculentas de que agora se pode agir de forma impune".
"De nossa parte, não nos acovardaremos, porém tomaremos todos os cuidados possíveis para não cair em provocações nem em armadilhas da violência do latifúndio. Nosso papel como MST é o de seguir a luta pela reforma agrária. Seguiremos ocupando os latifúndios improdutivos. Seguiremos ocupando as terras de políticos, empresas e fazendeiros que estão em dívida com a União por sonegarem impostos e por não pagarem empréstimos em bancos públicos".
