Técnico de enfermagem serial killer usava desinfetante doméstico para matar pacientes de hospital no DF
A Polícia Civil do Distrito Federal investiga um técnico de enfermagem suspeito de matar pelo menos três pacientes
247 - A Polícia Civil do Distrito Federal investiga um técnico de enfermagem suspeito de matar pelo menos três pacientes internados na UTI do Hospital Anchieta, em Taguatinga. Segundo as autoridades, o profissional teria aplicado desinfetante mais de dez vezes, em um único dia, em uma das vítimas, uma idosa de 75 anos, utilizando uma seringa. As informações foram divulgadas inicialmente pela CNN Brasil.
O principal suspeito é Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, de 24 anos, que atuava há cerca de cinco anos na unidade hospitalar. Outras duas técnicas de enfermagem, Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camilly Alves da Silva, também são investigadas por possível participação nos crimes.De acordo com a Polícia Civil, as apurações indicam que Marcos Vinícius administrava medicamentos de forma irregular diretamente na veia dos pacientes, com doses consideradas letais. Em alguns casos, ele aguardava a reação dos enfermos até a ocorrência de parada cardíaca e, na presença de outros profissionais, realizava manobras de reanimação com o objetivo de “disfarçar” o crime.
As vítimas identificadas até o momento são João Clemente Pereira, de 63 anos, Miranilde Pereira da Silva, de 75, e Marcos Moreira, de 33. Segundo os investigadores, os pacientes apresentavam quadros clínicos distintos, o que chamou a atenção das equipes médicas após pioras súbitas e repetidas.
As investigações também revelaram que, em um dos episódios, o técnico teria acessado o sistema interno do hospital utilizando a senha de um médico. A partir desse acesso, ele prescreveu um medicamento inadequado, buscou os remédios na farmácia, preparou as substâncias e as escondeu no jaleco para aplicar nos pacientes. As aplicações teriam ocorrido em 17 de novembro e 1º de dezembro do ano passado.As duas técnicas investigadas, Amanda Rodrigues de Sousa, de 22 anos, e Marcela Camilly Alves da Silva, de 28, são apontadas por negligência e possível coautoria.
Segundo a polícia, Amanda, que atuava em outro setor do hospital, era amiga de longa data de Marcos, enquanto Marcela havia ingressado recentemente na instituição e recebia orientações dele. As duas teriam ficado responsáveis por vigiar a porta dos quartos para evitar a entrada de outras pessoas durante as aplicações.De acordo com Márcia Reis, diretora do Instituto Médico Legal (IML), as mortes levantaram suspeitas devido às semelhanças no padrão de agravamento dos pacientes. Após a identificação de condutas consideradas incompatíveis com os protocolos médicos, o hospital demitiu os profissionais envolvidos e comunicou imediatamente as autoridades.
O caso foi esclarecido a partir da análise de imagens das câmeras de segurança instaladas nos leitos e da revisão dos prontuários médicos. As famílias das vítimas foram informadas sobre o andamento das apurações.
Em depoimento, Marcos Vinícius negou inicialmente as acusações, mas teria confessado após ser confrontado com os vídeos das supostas ações.Os três profissionais foram presos durante o cumprimento de mandados da Operação Anúbis, que segue em andamento para apurar a existência de outras possíveis vítimas. O caso foi registrado como homicídio qualificado, e as duas técnicas respondem por coautoria.
Até o momento, a investigação não aponta que os crimes tenham ocorrido a pedido dos pacientes ou de familiares.Em nota oficial, o Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal (Coren-DF) informou que acompanha o caso e adota as providências cabíveis. “Diante da gravidade das informações divulgadas, o Coren-DF esclarece que está acompanhando o caso e adotando as providências cabíveis no âmbito de sua competência legal”, diz o comunicado. O órgão afirmou ainda que é necessário respeitar o devido processo legal e reforçou o compromisso com a segurança do paciente e a ética profissional.