Tijolaço: A Embraer vai virar Vemag?

O editor do Tijolaço, Fernando Brito, destaca que há 60 anos a Volks comprou a Vemag, que produzia alguns dos carros mais populares do Brasil até então, e poucos meses depois fechou a empresa apesar "da promessa da VW de que a compra da Vemag, não era para uma empresa ficar mais fraca, mas as duas mais fortes; "Repete-se, 60 anos depois, a história com a compra (o nome é este, não se engane com o papo de "joint-venture") da Embraer pela Boeing", diz

Tijolaço: A Embraer vai virar Vemag?
Tijolaço: A Embraer vai virar Vemag?

Por Fernando Brito, no TijolaçoA gente era guri e entre os carros mais populares do Brasil estavam os DKV-Vemag (na verdade, DKW, de Dampf Kraft Wagen, em alemão): um sedã, uma camioneta, o jipe "Candango" e, já no final, um coupé, o Fissore.

Vemag, acredite, significava "Veículos e Máquinas Agrícoslas", a empresa brasileira que detinha os direitos de fabricação dos alemães da Auto Union – hoje a Audi, subsidiária da Volkswagen).

Quando lançados, tinham metade das peças produzidas aqui e, anos depois, todas elas.

Mas a Volks comprou a Auto Union e passou a "apertar" a Vemag com ameaças de cassar-lhe a licença de uso no Brasil. Tanto fez que comprou a Vemag, anunciando um grande futuro para ela, como você vê no anúncio que reproduzo no alto do post.

Meses depois. a Vemag estava fechada e os DKV saíram de linha, apesar da promessa da VW de que a compra da Vemag, mão era para uma empresa ficar mais fraca, mas as duas mais fortes".

Repete-se, 60 anos depois, a história com a compra (o nome é este, não se engane com o papo de "joint-venture") da Embraer pela Boeing.

Não tão rápido, porque a carteira de encomendas da Embraer em jatos de médio porte é imensa.

Nenhuma razão "de mercado" portanto, para vender uma empresa que é, disparado, a maior do mundo neste segmento.

Nem se está vendendo galpões e maquinários para montagem de aeronaves, essencialmente. Vende-se, isto sim, a tecnologia e o conhecimento aeronáuticos que o país desenvolveu em meio século.

A história de que ficaremos com a aviação executiva e a militar é um dourado falso sobre a pílula, porque é a aviação comercial quem dá suporte a estes setores, seja em faturamento, seja em desenvolvimento tecnológico.

E a nova empresa, assumidamente, responderá diretamente à matriz norte-americana.

Os galpões da Vemag, de onde sairiam, segundo a promessa, mais DKV, passaram a servir para a montagem da Kombi VW.

Se não tivermos um governo que impeça esta barbaridade, as plantas da Embarer, em poucos anos, estarão fazendo o mesmo.

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