Tijolaço: classe média passa a viver o medo de que o seu vizinho tenha várias pistolas

Em artigo publicado no Tijolaço, o jornalista Fernando Brito afirma que o decreto da liberação da posse de armas assinado por Jair Bolsonaro é apenas um aperitivo "para franquear o acesso generalizado a armamento para a população" e "não pode ser julgado apenas no campo político"; para ele, a medida "é um retrocesso civilizatório que nos custará muitas vidas e muitos anos para reverter"

Tijolaço: classe média passa a viver o medo de que o seu vizinho tenha várias pistolas
Tijolaço: classe média passa a viver o medo de que o seu vizinho tenha várias pistolas (Foto: Alan Santos/PR | Reuters)

Fernando Brito (Tijolaço) - O decreto da liberação da posse de armas – segundo Bolsonaro, apenas um aperitivo, "apenas o primeiro passo", para franquear o acesso generalizado a armamento para a população – não pode ser julgado apenas no campo político.

É um retrocesso civilizatório que nos custará muitas vidas e muitos anos para reverter.

Não fosse isso, diria que foi a derrota política inaugural de Jair Bolsonaro.

É algo que, mesmo antes das tragédias anunciadas que irá produzir, só encontrou apoio incondicional em seus adeptos mais radicais.

A classe média, sempre tão feroz na teoria, passa a viver o medo de que o seu vizinho de porta tenha uma, duas, várias pistolas.

Ou o caixa da padaria. Ou o dono da quitanda, que você andou chamando de ladrão por cobrar 10 reais no quilo do tomate. Ou o inspetor da escola dos filhos.

Os neoliberais "cult" não tiveram peito de defender e o próprio Sérgio Moro fez questão de ficar nas sombras no anúncio da "grande conquista", mesmo sendo, agora, o responsável pela Segurança Pública.

A comparação dos perigos oferecidos por uma arma de fogo com os riscos de um liquidificador, feita pelo sempre energúmeno Ônyx Lorenzoni ofende a inteligência de um asno.

Os vencedores estão envergonhados.

Só o núcleo selvagemente fascista celebra, e olhe lá.

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