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Tio de Suzane von Richthofen é encontrado morto em São Paulo e polícia se pronuncia

Miguel morava sozinho em uma casa na Rua Baronesa de Bela Vista e foi encontrado na tarde de sexta-feira

Polícia investiga como suspeita a morte do tio de Suzane von Richthofen (Foto: Reprodução)

247 - A Polícia Civil de São Paulo investiga como morte suspeita o falecimento de Miguel Abdalla Netto, de 76 anos, tio de Suzane von Richthofen, encontrado sem vida em sua residência no bairro do Campo Belo, na zona sul da capital paulista. O corpo será submetido a exames necroscópicos e toxicológicos no Instituto Médico Legal (IML), e a cremação foi suspensa até que a causa da morte seja esclarecida.

As informações foram divulgadas inicialmente pelo jornalista Ullisses Campbell, no jornal O Globo, em reportagem publicada no dia 10 de janeiro de 2026. Segundo o registro policial, o caso foi classificado como morte suspeita em razão das circunstâncias em que o corpo foi localizado e da ausência, até o momento, de uma causa definida para o óbito.

Miguel morava sozinho em uma casa na Rua Baronesa de Bela Vista e foi encontrado na tarde de sexta-feira (9) por um vizinho, João Batista da Silva, proprietário de uma empresa de construção ao lado do imóvel. De acordo com o boletim de ocorrência, o vizinho estranhou o fato de não ter visto Miguel por cerca de dois dias e decidiu verificar a situação. Ele usou uma escada para observar o interior da casa e avistou o corpo no quarto do andar superior, sentado no chão, com as costas apoiadas na cama. Em seguida, acionou a Polícia Militar pelo telefone 190.O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi chamado e chegou ao local às 16h40. 

A morte foi constatada três minutos depois. O relatório aponta a presença de rigor mortis e livor mortis, o que indica que o falecimento havia ocorrido horas antes da descoberta. Não havia sinais aparentes de violência no corpo ou no interior da residência, que foi preservada para a realização de perícia técnica.Um dia antes de o corpo ser encontrado, a diarista que prestava serviços a Miguel esteve no local, mas não conseguiu contato. Ela bateu no portão, tocou a campainha e enviou mensagens, sem obter resposta. Imagens de câmeras de segurança de uma empresa vizinha mostram Miguel entrando em casa no dia 7 de janeiro, às 17h10. Desde então, ele não foi mais visto saindo do imóvel.Mesmo sem indícios visíveis de crime, a autoridade policial determinou a realização de perícia no local e requisitou exames detalhados no IML para afastar ou confirmar a hipótese de envenenamento ou outras causas não naturais. O caso foi registrado no 27º Distrito Policial do Campo Belo, que conduz as investigações.

Miguel Abdalla Netto era médico e irmão de Marísia von Richthofen, assassinada em 2002 junto com o marido, Manfred von Richthofen, em um crime que chocou o país. Após a morte da irmã, Miguel tornou-se tutor de Andreas von Richthofen, então com 14 anos, que passou a morar com o tio até atingir a maioridade.Desde o assassinato dos pais, Miguel rompeu relações com Suzane e passou a ter conflitos frequentes com Andreas. Foi ele quem ingressou com a ação judicial que declarou Suzane indigna de receber parte da herança dos pais, estimada em quase R$ 10 milhões, fazendo com que Andreas herdasse a totalidade dos bens. À época, o irmão mais novo chegou a defender a divisão do patrimônio, mas, anos depois, afirmou em juízo que havia sido manipulado pela irmã.

Com a morte de Miguel, a sucessão de seu patrimônio — que inclui a casa no Campo Belo e um sítio no litoral paulista — pode abrir uma nova disputa familiar. Caso não existam filhos, pais vivos ou cônjuge com direito à herança, Andreas e Suzane von Richthofen podem entrar na linha sucessória, embora a definição dependa da situação civil de Miguel, da existência de outros herdeiros legais e do esclarecimento da causa da morte.A polícia aguarda agora os laudos periciais para determinar se o óbito decorreu de causas naturais ou se há elementos que indiquem a prática de crime. Até a conclusão dos exames, o caso segue sob investigação.