Todos são iguais, mas uns são mais iguais que os outros

Na era das cotas e do politicamente correto, quanta gente se sente perseguida!

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Sujeito chega ao caixa de uma loja de roupas, entrega as compras ao caixa e recebe a conta. Puxa um talão de cheque e começa a preencher. Nisso, o caixa se antecipa e fala com ele:

- Senhor, não aceitamos cheques.

- Como assim não aceitam cheques?

- Exato, senhor, só aceitamos cheques de pessoas (o cliente interrompe o caixa quase gritando)

- Heterossexuais? Só aceitam cheques de héteros?

- Não entendi, senhor.

- Você não vai aceitar meu cheque porque eu sou gay?

- Por que o senhor é gay?

- Não te interessa porque eu sou gay! Estamos falando do cheque.

- Senhor, eu quis dizer “não aceitamos porque o senhor é gay?”

- E ainda confessa, seu homofóbico!

- Mas eu não confessei nada, era uma pergunta retórica! Eu estava lhe perguntando se era isso que o senhor achava!

- Claro que é, você falou que só aceitavam cheques de heterossexuais.

- Na verdade eu ia falar “clientes cadastrados”...

- E por que eu não posso ser um cliente cadastrado? Porque sou gay?

- Senhor, o senhor pode se cadastrar, mas o senhor terá que ir para o lado da fila e preencher o formulário.

- Formulário? Só porque eu sou gay eu tenho que preencher um formulário enorme pra garantir que eu não vou fugir sem pagar?

- Não, senhor, todas as pessoas preenchem este mesmo cadastro para podermos aceitar pagamentos em cheque.

- Acho bom mesmo! Eu tenho os mesmos direitos de todo mundo!

O cliente contrariado começa a preencher o formulário. Em um determinado ponto ele para, suspira alto, revoltado, e quase esfrega o papel na cara do caixa.

- O que é isso aqui?

- O que, senhor?

- Além de preconceituoso é analfabeto? Isso aqui!

- Bom, essa é a parte que pergunta se o senhor é casado, solteiro, divorciado ou viúvo, e se vai querer botar o esposo/esposa como dependente do cartão.

- Quer dizer que pra eu pagar em cheque eu tenho que te dizer quem é o homem da relação, eu ou meu parceiro?

- Não, senhor, este formulário foi feio há bastante tempo, e ainda não contemplava a união civil de pessoas do mesmo sexo.

- Amiguinho, se este formulário tivesse sido feito em 200 antes de Cristo, JÁ HAVERIAM naquela época, milhões de pessoas do mesmo sexo se relacionando.

-Entendo, senhor. Mas é só marcar qualquer coisa, não tem problema.

- Não tem problema? Então eu tenho que decidir se sou o marido ou a esposa para poder pagar em cheque?

- Se o senhor é o marido ou a esposa?

- Não te interessa se sou marido ou esposa, fofoqueiro!

- Senhor, novamente eu não lhe fiz uma pergunta. Eu estava perguntando se foi isso que o senhor disse.

- Claro que foi, ta surdo?

- Senhor, deixe esta parte em branco e só preencha o nome do seu parceiro como dependente.

- Você ta insinuando que eu sou a mulher? Por que você falou “seu parceiro”, e não “sua parceira”.

- Não sei, senhor, força do hábito.

- Sei, força do hábito... Só vou preencher essa droga pra provar que eu tenho os mesmos direitos que todo mundo!

O cliente volta a preencher o formulário, termina e entrega ao vendedor.

- Tá aqui seu formulário hétero preenchido. Agora posso pagar em cheque?

- Bom, senhor, na verdade o cadastro demora 72 horas para ser efetuado, mas no seu caso vou abrir uma exceção.

- Exceção? Exceção por que? Porque eu sou gay???

- Não, senhor, não é porque o senhor é gay.

- Então se eu não fosse gay eu não teria a exceção?

- Teria, senhor, teria.

- Ok, então, toma aqui o cheque. E não fica olhando o formulário pra ver se eu sou o marido ou a esposa!

- Não vou olhar, senhor.

- Por que? Você é bom demais para ler o formulário de um gay?

- Não, senhor. Eu vou ler então.

- Vai ler pra que? Pra poder zombar de mim da próxima vez que eu vier?

- Não, senhor, então eu só vou repassar para o computador sem ler.

- Sei. Conheço seu tipo. Se acha muito superior. Deve estar aí pensando “maldita hora que criaram essa lei que equipara essas bichonas a nós, pessoas normais”.

- Jamais pensaria isso, senhor. Tenha uma boa tarde.

- Boa tarde pra você também!

O cliente sai contrariado e revoltado. Quando ele está saindo da loja um segurança grita “ô, criolo, volta aqui e deixa eu ver essa bolsa!”. Um homem negro, bem vestido que estava quase saindo da loja inicia um bate-boca com o segurança, falando “O que? Criolo? Só porque eu sou preto você não tem o direito de falar assim comigo! Você só me parou porque eu sou preto, eu paguei minhas compras, o alarme não apitou! Vou chamar a polícia!”. Nisso algumas pessoas se juntam para assistir ao bate-boca. Uma senhora para do lado do cliente gay que havia acabado de armar a confusão por causa do cheque. Levantando os óculos escuros, ele fala para ela:

- Gente paranóica, tudo acha que ta sendo perseguida. Maldita cota, agora eles acham que tem mais direitos do que nós. Vê se pode...

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