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Trem-bala segue em ritmo de tartaruga

Anunciado para o dia 10 de março deste ano, o edital de licitação do Transporte de Alta Velocidade (TAV), que vai ligar São Paulo, Campinas e Rio, foi adiado duas vezes antes de ser dividido em duas partes. Agora, o leilão está agendado para setembro de 2013 e a previsão é de que o veículo projetado para atingir 350 km/h comece a se mexer em 2020

Trem-bala segue em ritmo de tartaruga (Foto: Edição 247)
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Pedro Peduzzi
Repórter da Agência Brasil

Brasília - Projetado para alcançar uma velocidade próxima a 350 quilômetros por hora (km/h), o processo de criação do Transporte de Alta Velocidade (TAV) tem andado lentamente. No dia 16 de dezembro de 2011, o então diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Bernardo Figueiredo, havia anunciado: o edital de licitação do TAV, conhecido por trem-bala, seria publicado até o dia 10 de março. Acabou sendo remarcado para 29 de julho e, depois, adiado novamente porque, em função da formatação do projeto, nenhuma proposta foi apresentada.

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A solução foi dividir o processo de licitação em duas partes. Na primeira será escolhida a empresa ou consórcio responsável pela fabricação de trens e a operação do sistema, incluindo fornecimento de tecnologia do veículo. Uma segunda etapa definirá a empresa responsável pela construção do projeto. Só em 13 de dezembro de 2012 o novo edital foi publicado, marcando para 19 de setembro o leilão do trem-bala. A última previsão é de que ele esteja operando em sua plenitude em 2020.

A malha prevista pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para o TAV inclui, além da ligação entre Campinas, São Paulo e o Rio de Janeiro (510,8 km), três projetos de estudos de viabilidade para expandir as linhas para as cidades de Curitiba, Belo Horizonte e também para o Triângulo Mineiro.

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Para tocar o projeto, o governo criou em agosto a Empresa de Planejamento e Logística (EPL) que, desde então, tem como presidente o ex-diretor da ANTT Bernardo Figueiredo. A nova empresa ficou oficialmente responsável pelo planejamento, desenvolvimento, pela prestação de serviços e pelas pesquisas e financiamentos relativos ao trem-bala.

"Temos convicção de que o modelo adotado terá êxito", disse Figueiredo à Agência Brasil. "O governo está fazendo um projeto para atender às necessidades do país com a maior participação possível da iniciativa privada", completou.

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Na avaliação do presidente da EPL,"o Trem de Alta Velocidade representará um novo padrão de serviço de transporte de pessoas no país, com preços competitivos, conforto, segurança, pontualidade e rapidez nas viagens".

Durante o balanço das ações do governo na área de transportes, o ministro da pasta, Paulo Sérgio Passos, lembrou que entre os municípios a serem beneficiados por estarem na rota do trem-bala estão - além de Campinas, São Paulo e do Rio de Janeiro - Jundiaí, Campos Jordão e Cruzeiro (SP); Resende e Barra Mansa (RJ).

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A primeira etapa deve ser concluída em 2019, mas como será necessário um ano para testes com a tecnologia, a previsão é de que o transporte de passageiros só comece em 2020. Em valores atuais, o preço da passagem na classe econômica, que abrangerá 60% dos 458 assentos, será R$ 250. O tempo máximo de viagem para o serviço expresso será de 99 minutos.

O edital prevê que, nos horários de pico, deve haver pelo menos três trens expressos por hora para fazer a ligação São Paulo-Rio de Janeiro, e um trem regional de longa distância, que vai parar nas estações intermediárias. A expectativa é começar a operar com 40 milhões de passageiros por ano, podendo chegar a 100 milhões nas décadas seguintes.

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A empresa vencedora da licitação deverá ter pelo menos cinco anos de experiência na operação comercial do sistema e não pode ter tido nenhum registro de acidente com mortes. A segunda licitação, que vai definir a empresa responsável pela construção da infraestrutura para o trem, está prevista para 2014.

A participação da EPL no projeto será 45%. Segundo Figueiredo, o objetivo foi aumentar a atratividade no projeto. "Como não estamos trazendo nenhum elemento de mitigação de risco e demanda, resolvemos aumentar a participação pública porque é uma forma de compartilhar o risco com o investidor", disse ao anunciar o edital.

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O total de investimentos do operador da primeira etapa é R$ 7,6 bilhões. O BNDES vai financiar R$ 5,37 bilhões, a EPL, R$ 1,03 bilhão, e o concessionário, R$ 1,27 bilhão. O custo total da obra está estimado em R$ 35 bilhões.

Segundo o presidente da EPL, há grupos da Alemanha, da França, da Espanha, da Coreia e do Japão interessados na implantação do projeto.

 

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