UFMT anuncia suspensão do RU e ameaça emprego de terceirizados fruto de cortes do governo

Na última quarta-feira (4), a reitoria da UFMT anunciou uma série de medidas de redução de custos da universidade que atacam a permanência estudantil, a qualidade de ensino e a manutenção da universidade

Câmpus Universitário de Sinop
Câmpus Universitário de Sinop (Foto: UFMT)

Esquerda Diário - Em documento, a reitoria anuncia medidas para reduzir gastos como a suspensão de serviços de limpeza, redução nos serviços da portaria e vigilância armada, que poderão implicar na direta demissão de funcionários terceirizados. Além disso, foi anunciado o recesso do Restaurante Universitário nas férias e racionamento de energia elétrica em alguns setores da universidade.

As medidas são fruto direto dos sucessivos cortes orçamentários promovidos pelo ministro da educação bolsonarista, Weintraub, que tem como política deixar as universidades federais à míngua para então impor a sua “geniosa” solução: o Future-se, que busca fazer com que a universidade dependa de recursos obtidos via financeirização e obrigar que sejam administrados por Organizações Sociais de interesse privado, mercadológico.

A brusca redução de recursos foi justificativa para a reitoria de UFMT descontar de diversas atividades acadêmicas e administrativas como a redução das aulas de campo, pesquisa e extensão, entre outros. Segundo a nota publicada pela UEE, também foram suspensas as bolsas de acolhimento imediato. As medidas passarão a valer a partir do dia 9 de setembro.

Ou seja, a reitoria cumpre um papel de impor a que os estudantes que dependem desse tipo de auxilio, como do próprio funcionamento do RU para se alimentar nas férias, a pagarem as contas do corte de Weintraub.

O Ministro da Educação declarou hoje a estudantes que o país “não tem espaço para todos, só para os melhores". É evidente quando seus cortes irão afetar justamente aqueles mais pobres e que dependem de auxílios e bolsas para poder seguir mantendo seus estudos e pesquisas. Disse a crianças e adolescentes que seus cortes são "[...] para que vocês sejam livres e fortes para pensar por vocês mesmos e ter uma profissão e uma renda sem depender de bolsa".

Cortou quase 12 mil bolsas de pesquisa, entre CAPES e Cnpq, durante o seu tempo no governo, como se elas fossem dispensáveis para que a ciência pudesse seguir se desenvolvendo no país. É tão demagógico seu discurso meritocrático que a pesquisadora que ficou em 1º lugar na seleção de doutorado sobre o zika vírus na UFRJ ficou sem bolsa graças aos cortes.

É um escândalo a situação que vem sendo imposta à educação, às pesquisas científicas e ao funcionamento das universidades. O exemplo das centenas de pessoas da comunidade da UFSC que rejeitaram o Future-se e aprovaram greve em assembleia imensa é decisivo para desenvolver as formas de barrar as medidas de Weintraub em cada universidade desse país.

Por isso, é preciso unificar graduandos, pós-graduandos, de federais e estaduais, trabalhadores e professores de todo o país, e por isso nós da Juventude Faísca fazemos um chamado a que as correntes de oposição (PSOL, mas também PCR e PCB) às direções majoritárias da UNE e ANPG articulem uma coordenação nacional entre as universidades que saem à frente dessa batalha, na vanguarda de um movimento que pode se expandir nacionalmente. Fazemos também um chamado a que os DCEs e as entidades que querem lutar contra Bolsonaro exijam da direção da UNE e da ANPG que construam imediatamente assembleias de base, reuniões amplas, em todas as universidades, também exigir que as reitorias e as burocracias acadêmicas impulsionem medidas efetivas de mobilização, para colocar todo o aparato da universidade a serviço da mobilização contra os cortes, o Future-se e em unidade com os trabalhadores contra os ataques do governo.

Conheça a TV 247

Ao vivo na TV 247 Youtube 247