Um lugar de desafios: Cracolândia

O crack se tornou uma epidemia nefasta no país e São Paulo é a cidade que mais sofre com o problema

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Em primeiro lugar, é preciso deixar claro que o drama do crack tem pelo menos duas dimensões importantes. Uma, de saúde pública: os viciados precisam de tratamento médico. A segunda, de segurança pública: precisamos cobrar do Governo Federal uma ação enérgica nas fronteiras, já que a pasta base, matéria-prima do crack, é produzida em países vizinhos. A Polícia Federal, em conjunto com as polícias Militar e Civil, também deve perseguir o traficante com rigor.

Quanto à questão da saúde pública, a mais importante para quem pretende ser prefeito de São Paulo, é preciso atentar para o fato de que hoje não existe uma cracolândia, mas muitas cracolândias espalhadas pela cidade, a mais nova na região do Glicério, na ligação Leste-Oeste. Estima-se que existam hoje cerca de 14 mil pessoas vivendo nas ruas de São Paulo e que metade dessas pessoas – ou seja, sete mil pessoas – estejam viciadas em crack.

O problema chegou a tal ponto que para muitos viciados só a internação compulsória pode salvar essas vidas. Segundo um estudo da Unifesp, um em cada três usuários morre nos primeiros cinco anos de consumo da droga. Mas qualquer ação compulsória tem que ser feita sob estrita orientação médica, dentro de um amplo programa de reabilitação dos viciados, em centros preparados para tal.

Também é importante dizer que, ainda que indiretamente, o problema cracolândia é decorrente da falta de perspectivas que infelizmente ainda afeta uma parte dos paulistanos. E isso está relacionado ao meu mote de campanha “São Paulo quer e precisa de mais qualidade de vida”. Em diversas regiões da cidade, faltam áreas de lazer. Parques. Centros Esportivos. Oferecer equipamentos e, mais do que isso, políticas públicas nas áreas de esportes e cultura ajudam a criar perspectivas para essa juventude que está nas ruas. Se conseguirmos tirar um viciado para dentro de uma quadra esportiva já teremos tido uma grande vitória. E podemos fazer isso com centenas deles, todos os dias.

O crack se tornou uma epidemia nefasta no país e São Paulo é a cidade que mais sofre com o problema. Podemos mostrar que os paulistanos são capazes de superar esse drama, com um programa integrado que compreenda: combate ao traficante, foco na reabilitação dos viciados, ainda que sejam necessárias ações enérgicas, e construção de alternativas sociais voltadas para a educação, o lazer e o esporte.

Ricardo Tripoli é pré-candidato a prefeito de São Paulo, deputado federal, advogado e ambientalista.

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