Uma nomeação ousada

Escolha de Celso Amorim mostra que Dilma não tem medo de general

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O assunto mais importante agora é a demissão de Nelson Jobim e a nomeação de Celso Amorim para o Ministério da Defesa. Primeiro, porque é um ministério muito importante, especialmente quando o Brasil ganha maior projeção no cenário internacional e precisa zelar mais por suas fronteiras terrestres e marítimas. Segundo, porque o componente político no episódio é muito forte: Jobim era um tucano enrustido ocupando uma das posições mais importantes da República e, reservadamente e às vezes nem tanto, falava mal dos presidentes que o nomearam e do governo que integrava. Achava-se superior e intocável.

E, principalmente, porque Dilma foi ousada ao escolher o ex-chanceler Celso Amorim para substituir Jobim. A guinada foi da direita para a esquerda, em linhas gerais. Da submissão aos estadunidenses ao nacionalismo. Certamente as ideias do ex-chanceler não são as mesmas de boa parcela da oficialidade que ele comandará. E isso em um quadro em que, além de tudo, oficiais-generais das três forças se esmeram em atrapalhar a vida dos civis que se arriscam a assumir o Ministério da Defesa. Militares brasileiros ainda se recusam a aceitar que não seja um deles a comandá-los e têm saudades dos tempos em que tinham quatro pastas, caso único no mundo: Exército, Marinha, Aeronáutica e Estado Maior das Forças Armadas.

Amorim, por exemplo, acha que as tropas brasileiras devem deixar o Haiti. Os militares não concordam com essa tese, claro. Outras divergências virão. Mas é bobagem achar que o ex-chanceler no governo Lula fará o que quer na Defesa. Quem vai estabelecer as diretrizes e dar as ordens, não se tenha dúvidas, é a presidente Dilma Rousseff. A ex-guerrilheira a quem os militares saudosos de 64 têm, hoje, de prestar continência e obedecer. Militares mais arejados e modernos entendem bem isso, mas há uma forte ala reacionária e conservadora nas forças armadas.

A saída de Jobim era inevitável, graças à sucessão de bobagens e impropriedades proferidas pelo ex-ministro. É difícil entender por que o então presidente Lula ouvia Jobim em assuntos políticos e quando precisava escolher ministros para os tribunais superiores. Mais difícil ainda entender porque o nomeou ministro. Jobim sempre trabalhou para si próprio e para seus interesses. Alguns jornalistas amigos de Jobim insistem em dizer que ele foi um bom ministro da Defesa. A opinião é livre, mas a verdade é que ele jamais deveria ter assumido o cargo e muito menos ter sido mantido pela presidente Dilma.

Independentemente de se sair bem ou não no novo posto, certamente o embaixador Celso Amorim não será tão ridículo quanto seu antecessor, que gostava de brincar de general, de farda e tudo. Uma coisa meio idiota.

Sentido

Dilma nomeou um diplomata para o Ministério da Defesa e um general – Jorge Ernesto Pinto Fraxe – para comandar o Dnit. Nas atuais circunstâncias, faz sentido.

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