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Universidades brasileiras caem em ranking global por desempenho em pesquisa

Levantamento do CWUR mostra queda de 45 das 52 instituições do Brasil listadas entre as melhores do mundo

Universidades brasileiras caem em ranking global por desempenho em pesquisa (Foto: Reuters)
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247 - A maioria das universidades brasileiras presentes no ranking Global 2000 de 2026 perdeu posições na lista das melhores instituições de ensino superior do mundo. O levantamento, divulgado nesta segunda-feira (1º) pelo Centro para Rankings Universitários Mundiais (CWUR), aponta queda de 45 das 52 instituições do Brasil incluídas na avaliação.

As informações são do g1. Segundo o levantamento, o recuo atingiu 87% das universidades brasileiras listadas e foi associado principalmente ao desempenho mais fraco em pesquisa e ao aumento da concorrência internacional com instituições que contam com maior volume de financiamento.

A edição de 2026 mostra um quadro de alerta para o ensino superior brasileiro. Apenas cinco instituições do país conseguiram subir de posição, enquanto duas permaneceram no mesmo lugar. No indicador específico de pesquisa, 44 universidades brasileiras registraram queda.

A Universidade de São Paulo (USP) segue como a instituição brasileira mais bem colocada no ranking. Apesar disso, perdeu uma posição em relação ao ano anterior e aparece agora no 119º lugar mundial. A queda foi atribuída a recuos nos indicadores de educação, corpo docente e pesquisa.

Na sequência, aparecem a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Universidade de Campinas (Unicamp). A UFRJ caiu 15 posições e passou a ocupar o 346º lugar. Já a Unicamp recuou 10 postos e aparece na 379ª colocação global.

O presidente do CWUR, Dr. Nadim Mahassen, avaliou que a perda de posições das instituições brasileiras está ligada a problemas estruturais de financiamento e valorização da ciência. "O declínio das universidades brasileiras reflete anos de financiamento inadequado e a desvalorização da ciência e da educação como bens públicos", afirmou.

Segundo Mahassen, o enfraquecimento do sistema de ensino superior pode comprometer áreas estratégicas para o país. Ele afirmou que a erosão do setor prejudica o desenvolvimento científico, a inovação e as perspectivas de longo prazo do Brasil.

Entre as dez instituições brasileiras mais bem posicionadas no ranking estão USP, UFRJ, Unicamp, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade Estadual Paulista (Unesp), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e Universidade Federal do Paraná (UFPR).

A UFRGS aparece na quarta posição nacional, mantendo o 476º lugar mundial. A Unesp, por sua vez, caiu da 454ª para a 479ª posição. A UFMG também recuou, passando do 497º para o 508º lugar no ranking global.

A lista inclui ainda instituições federais, estaduais, centros de pesquisa e universidades privadas. Entre elas estão a Universidade de Brasília (UnB), a Fundação Getúlio Vargas (FGV), a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a Universidade Federal Fluminense (UFF), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), o Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA) e o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA).

No cenário internacional, a Universidade Harvard manteve a liderança do ranking pelo 15º ano consecutivo. O Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) aparece na segunda posição, seguido pela Universidade Stanford.

Embora os Estados Unidos continuem dominando as primeiras colocações, o país também enfrentou recuos expressivos. Segundo o levantamento, 252 instituições americanas perderam posições nesta edição.

A China foi o principal destaque positivo do ranking. Impulsionadas por investimentos contínuos no ensino superior, cerca de 98% das universidades chinesas melhoraram suas colocações. A Universidade Tsinghua foi a instituição mais bem posicionada do país, ocupando o 36º lugar.

Com 360 instituições incluídas no Global 2000, a China se tornou o país com maior presença na lista, superando os Estados Unidos, que aparecem com 313 universidades. Na Europa, o levantamento também aponta dificuldades, com quedas em países como Reino Unido, França e Alemanha diante da intensificação da competição global.

O desempenho brasileiro no ranking reforça a preocupação com a capacidade de financiamento, produção científica e competitividade internacional das universidades do país.