Universidades têm que coibir trotes violentos

Determinao da Justia paulista, em resposta selvageria promovida numa faculdade do ABC paulista

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Fernando Porfírio_247 – A Justiça reconheceu que as universidades devem punir com rigor o trote violento, humilhante e selvagem. A decisão é do Tribunal de Justiça de São Paulo que reformou sentença do juiz de Santo André e manteve a sanção administrativa aplicada a um estudante do segundo ano da Faculdade de Medicina do ABC. Ele foi punido com 60 dias de suspensão por agir com selvageria na recepção a calouros da escola.

O tribunal entendeu que o trote aplicado aos calouros da faculdade foi grave, o que justifica a suspensão preventiva do estudante. O desembargador Franklin Nogueira elogiou a medida tomada pela faculdade que segundo ele, foi uma iniciativa elogiável para combater uma atividade que pode ser chamada de criminosa, “disfarçada de trote acadêmico”, que todo ano toma conta das manchetes de jornais.

Ao defender o acerto da medida tomada pela faculdade, o desembargador disse que, se no final do processo não for provada a falta disciplinar grave contra o aluno, ele não sofrerá prejuízo algum, pois terá de volta todos os direitos. “Maior o prejuízo da comunidade acadêmica se nada fosse feito pela direção da faculdade”, disse Franklin Nogueira.

Em São Paulo, a lei estadual 10.454/99, proíbe o trote violento em universidades estaduais. A lei foi criada depois do assassinato do estudante Edison Tsung Chi Hsueh, encontrado morto na piscina da atlética da Faculdade de Medicina da USP. Um ano antes, a PUC expulsou cinco jovens depois que um grupo de veteranos ateou fogo no corpo do estudante Rodrigo Favoretto Peccini, durante um trote em Sorocaba.

O processo administrativo da USP que apurava a morte de Edison Hsueh chegou à conclusão de que Luís Eduardo Passarelli Tirico, Guilherme Novita Garcia, Alfonso Augusto Massaguer e Frederico Jana Neto não tinham culpa na morte, mas que eles praticaram atos incompatíveis com a civilidade e o decoro dentro da universidade. Mesmo assim, nenhuma punição foi aplicada aos então veteranos da Faculdade de Medicina.

Alunos da Faculdade de Medicina do ABC são reincidentes em trotes violentos. Em 2006, 18 foram suspensos por causa dessa prática. Na época, vários calouros deixaram o curso de medicina e a polícia abriu inquérito. A selvageria se estendeu ao curso de farmácia. Um dos veteranos do curso, em seu álbum de fotografias do Orkut, tinha uma imagem dele com uma arma (ou réplica) na cintura. A legenda da foto era: "Olho na sintura (sic), calouro".

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