Vitória de Biden poderia provocar queda de Ernesto Araújo, diz especialista

A vitória de Joe Biden nas eleições norte-americanas "exigirá que o Itamaraty mude o tom ideológico", o que pode levar a escolha de um "novo chanceler", disse especialista à Sputnik Brasil

Ernesto Araújo
Ernesto Araújo (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
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247 - Para Rafael Ioris, professor de história da Universidade de Denver, o triunfo de Biden não "representará grandes mudanças" nas relações dos Estados Unidos com a América Latina. 

Segundo o pesquisador do INCT-Ineu (Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Estudos sobre os Estados Unidos), para Trump a "região teve somente uma importância utilitária e para uso doméstico", com objetivo de motivar sua "base eleitoral", informa a Sputnik.

"Biden talvez tente fazer uma reforma migratória e melhore o tom para com a região, mas lembremos que [Barack] Obama foi o governo que mais deportou imigrantes indocumentados. Biden também deverá retomar o curso de reaproximação com Cuba, iniciado com Obama, mas obstaculizado por Trump. Com relação à Venezuela, a discurso duro deve continuar", disse Ioris. 

'Alinhamento subserviente'

Por outro lado, o professor afirmou que o Brasil será o país mais afetado da América Latina com a vitória de Biden, devido ao "alinhamento subserviente" do governo de Jair Bolsonaro "não só com os Estados Unidos, mas com Trump e o trumpismo".

"O relacionamento agora terá que ser reconfigurado. Biden certamente vai pressionar para melhorias do governo brasileiro com relação à questão ambiental e deslegitimará o tom anti-multilateral de Trump, copiado por Bolsonaro. Tal reconfiguração exigirá que o Itamaraty mude o tom ideológico da gestão atual, algo que talvez requeira um novo chanceler", opinou Rafael Loris. 

Para Solange Reis, professora colaboradora do programa de pós-graduação em Relações Internacionais San Tiago Dantas (Unicamp, Unesp e PUC-SP), a eleição de Biden significa que os Estados Unidos "retomarão uma política externa mais civilizada", pois o democrata "tem que se apresentar como o oposto de Trump". 

"Nesse aspecto, o Brasil ficará mais exposto como símbolo do retrocesso em questões de direitos humanos, clima, estado de direito, democracia. O discurso antagônico à China, eventualmente usado pela atual diplomacia brasileira e por pessoas do círculo bolsonarista, não encontrará o mesmo eco, uma vez que Biden deverá adotar uma política ligeiramente menos conflitiva para a China" disse a especialista. 

Reação de Bolsonaro é 'incógnita'

A professora acredita ainda que, se existe certeza de mudanças na política internacional dos EUA, a "incógnita" será a "reação de Bolsonaro à nova situação". 

"A incógnita não será a retomada de algum tipo de multilateralismo pelos Estados Unidos, ou o isolamento do Brasil pela chamada 'comunidade internacional'. A área cinza é quanto à reação de Bolsonaro à nova situação. Em um cenário de aprovação doméstica sob controle, o governo brasileiro fará ajustes para se adaptar ao novo ambiente externo. Caso veja sua popularidade cair ao longo dos próximos dois anos, poderá arriscar uma retórica incendiária e aumentar o isolamento. A velha tática de cometer suicídio internacional para sobrevivência doméstica", disse Solange Reis, que também é pesquisadora do INCT-Ineu.

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