“Viúva Negra”: a mulher mais procurada do País

Disque Denncia do Rio oferece R$ 11 mil por informaes que levem priso de Helosa Borba Gonalves, de 61 anos, acusada de quatro homicdios, trs deles de ex-maridos. O prmio por sua captura supera o de dois chefes do trfico carioca

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247 – O inimigo público nº 1 do Rio de Janeiro, a julgar pelas “cotações de mercado”, não é nenhum líder do tráfico ou de milícias, muito menos um bicheiro. Aliás, trata-se de uma inimiga: a advogada gaúcha Heloísa Borba Gonçalves. Aos 61 anos, a chamada “Viúva Negra” é suspeita de pelo menos três tentativas de assassinato e de quatro homicídios – três deles de ex-maridos, que lhe garantiram a herança de cerca de R$ 20 milhões. Ela já foi condenada a 4 anos e seis meses de prisão pela 19ª Vara Criminal do Rio por bigamia e falsidade ideológica, e acumula ainda uma denúncia por fraude no INSS.

 

Não é à toa, portanto, que a cabeça da advogada – também conhecida como Heloísa Saad, Heloísa Gonçalves Duque Soares Ribeiro e Heloisa Gonçalves Duque Soares – está a prêmio por R$ 11 mil no Disque Denúncia do Estado do Rio (www.procurados.org.br). O valor, que será pago a quem der informações que levem à prisão da aracnídea, corresponde a mais do que a soma das recompensas para aqueles que derem dicas sobre o paradeiro da dupla que ocupa o segundo posto no ranking da ONG: Antonio Francisco Bonfim Lopes, o NEM, chefe do tráfico nas favelas da Rocinha e e do Vidigal; e Fabiano Atanazio da Silva, o FB, que exerce a mesma função na Vila Cruzeiro, zona norte da antiga capital federal. Cada um deles está cotado em R$ 5 mil.

 

Há dois anos, a ministra Carmen Lúcia Antunes Rocha, do Supremo Tribunal Federal (STF), apresentou um balanço da trajetória criminosa da Viúva Negra antes de negar-lhe um pedido de concessão de habeas corpus. Vamos ao levantamento: Heloísa foi denunciada pela morte do militar Jorge Ribeiro, assassinado a pauladas, com as mãos amarradas, em uma sala comercial de sua propriedade dele, em Copacabana; é a principal suspeita da morte do ex-namorado Wagih Murad, que descobriu seu passado suspeito, e de um pedreiro que o acompanha va no momento do crime; é acusada de tentar matar o filho de Wagih, Eli Murad, que levou dois tiros na nuca, e de mandar matar o detetive por ele contratado para investigar a morte do pai, Luiz Marques da Mota.

 

Ainda de acordo com o STF, a advogada teve outro marido, Irineu Duque Soares, assassinado em 1983, em Magé (RJ), meses depois de os dois terem se casado em regime de comunhão total de bens. À época, a Viúva Negra declarou em depoimento, à Polícia, que o casal fora vítima de latrocínio (roubo seguido de assassinato). Carlos Pinto da Silva, outro de seus ex-companheiros, teve melhor sorte do que Irineu, escapando de uma tentativa de homicídio em Salvador. O sujeito, que chegou a cometer alguns crimes patrimon iais em parceria com Heloísa, a acusou de ter encomendado a sua morte. “A denunciada Heloisa Gonçalves Duque Soares Ribeiro é criminosa contumaz e perigosa”, escreveu a ministra Carmen Lúcia em sua negativa ao pedido de habeas corpus.

 

Ficaram de fora do levantamento do STF dois outros casos de morte envolvendo a anciã. O primeiro, ocorrido em 1971, não levantou suspeitas à época: o médico Guenther Joerg Wolff, pai do segundo dos vários filhos de Heloísa, morreu quando seu Karmann-Guia se chocou contra um caminhão, em Taquara (RS). O mais recente, de 1991, teve como vítima o empresário Nicolau Saad, de 71 anos, com quem a Viúva Negra se casou de papel passado quando também era, oficialmente, a esposa de Jorge Ribeiro. Um ano e meio após a união, Saad foi encontrado morto. Ele sofria de câncer e morreu de parada cardíaca – provavelmente causada por um braço quebrado sabe-se lá como. Pouco mais de um mês depois, Ribeiro era encontrado com a cabeça esmagada em Copacabana.

 

Segundo a promotora Patrícia Glioche, há dois mandados de prisão contra a advogada: um pela condenação por bigamia e outro pela morte de Ribeiro, até agora o único caso de homicídio em que ela é formalmente acusada. Para colocar as mãos na Viúva Negra, as autoridades brasileiras contam também com o apoio de seus colegas no exterior, já que a Viúva Negra figura na lista da Interpol, sendo, assim, procurada em 188 países.

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