"Vou adotar um filho. Nem o Papa pode me impedir"

Coincidência ou não, no dia em que o Papa Bento XVI condenou a adoção de crianças por homossexuais, o deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ), ativista e homossexual assumido, revelou que afirma que pretende adotar uma criança quando completar 40 anos de idade. “Vivemos num estado laico. Quero e vou adotar um filho. É um direito meu. E nem o Papa e nem ninguém pode impedir. Adoção é direito civil. Nenhuma igreja pode se sobrepor ao Estado”, disse Wyllys em entrevista exclusiva ao 247

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Paulo Emílio_PE247 - Coincidência ou não, no dia em que o Papa Bento XVI condenou a adoção de crianças por homossexuais, o jornal Folha de São Paulo publica uma matéria com o deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ), ativista e homossexual assumido, que afirma que pretende adotar uma criança quando completar 40 anos de idade. “Vivemos num estado laico. Quero e vou adotar um filho. É um direito meu. E nem o Papa e nem ninguém pode impedir. Adoção é direito civil. Nenhuma igreja pode se sobrepor ao Estado”, disse Wyllys em entrevista ao 247.

Para o deputado, o posicionamento do sumo pontífice da igreja católica ao condenar o posicionamento da suprema corte de apelação italiana que garantiu o direito de uma mãe homossexual de manter a custódia de seu filho, é uma das causas que contribuem para manter o preconceito e incentivar a homofobia contra o segmento de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (LGBT). “A homofobia ganhou secularidade e o que é pior, laicidade. O que existe é uma demonização dos homossexuais e do povo de santo. O catolicismo e qualquer outra religião tem o direito de achar que o homossexualismo é pecado e eu tenho o direito de achar que não é. O que não pode é que este posicionamento seja utilizado por grupos que reproduzem este comportamento de forma violenta ou homofóbica”, observa o parlamentar.

Como exemplo deste comportamento, Wyllys cita o último levantamento feito pelo Grupo Gay da Bahia (GGB), um dos mais antigos a atuar em defesa dos direitos do semento LGBT, sobre o assassinato de homossexuais em todo o Brasil. Segundo a pesquisa, o número de mortes ligados a homofobia cresceu 27% em 2012 quando em comparação com o exercício anterior, chegando a 338 assassinatos. Desde 2005, os crimes do gênero subiram  317%.

“Qualquer cidadão, seja heterossexual ou homossexual, está sujeito a sair de casa , ser assaltado e levar um tiro. Mas o homossexual está ainda mais exposto. Basta ser apontado como tal que a qualquer momento ele pode sofrer algum tipo de agressão unicamente por razões de gênero ou de escolha sexual. É um crime de ódio”, diz o deputado.  Apesar disto, Wyllys reconhece que o incremento no registro deste tipo de crime pode estar ligado ao fato do grupo LGBT estar denunciando com mais vigor crimes desta natureza , diminuindo a subnotificação, bem como a uma maior intolerância por parte de alguns grupos sociais.

“Neste ponto a internet deu uma grande contribuição, um grande impulso, para que fosse criada uma reação contra uma situação que vivia escondida nos porões. Ela deu uma maior visibilidade a esta situação. Agora existe uma reação por parte do segmento LGBT , que deixou de ser um grupo invisível para a sociedade”, comenta.  “Não queremos ter mais direitos que ninguém, mas queremos que haja uma igualdade válida para todos. Queremos apenas o cumprimento da Constituição, que veta o preconceito em todas as suas formas”, completa.

E é neste ponto que Jean Wyllis vai de encontro ao posicionamento tomado pelo Papa Bento XVI ao condenar a adoção de crianças por homossexuais. “A igreja não pode se imiscuir em questões referentes ao Estado. O Estado é laico. Isto é uma questão de direitos civis. Não pode haver uma discriminação desta natureza, que viole uma das cláusulas pétreas da Constituição que é indiscriminável”, defende. Apesar das críticas, Wyllys observa que os setores progressistas da Igreja e que atuam junto ao grupo LGBT possuem um posicionamento diferente do manifestado pelo Papa.

 

 

 

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