HOME > Brasil

Wadih Damous: Lula enfrenta sua prisão no campo da política, não no campo pessoal

Em entrevista à TV 247, o ex-deputado Wadih Damous afirma que Lula encara sua prisão como um dado político e trata este assunto somente na esfera política; ele também disse que a operação Lava Jato não é válida em seu ponto de vista, e responsabiliza em parte o PT do Rio de Janeiro para a situação no Estado hoje, governador por Wilson Witzel; assista

Wadih Damous: Lula enfrenta sua prisão no campo da política, não no campo pessoal

247 - Para fazer uma análise da situação política do país, a TV 247 conversou com o ex-deputado federal e ex-presidente da OAB-RJ, Wadih Damous. Ele também é advogado do ex-presidente Lula e contou que, mesmo preso, o ex-presidente continua pensando na política brasileira.

Wadih Damous contou que Lula continua ativo politicamente. "O presidente Lula está absolutamente ativo e está muito bem informado sobre o que está acontecendo no Brasil. Ele está muito bem mentalmente, muito bem espiritualmente e politicamente. Continua pensando o Brasil como só ele sabe pensar e continua resumindo o Brasil como só ele sabe fazer". Damous também contou que o ex-presidente Lula encara sua prisão como ação política e o classificou como "o presidente mais amado do Brasil".

Ele conta que Lula sabe que sua prisão é fruto de interesses políticos. "Logo depois da prisão dele eu estive em Curitiba e eu fui muito apreensivo. É impressionante, o presidente Lula, e acho que é isso que o mantém vivo, que o mantém de cabeça em pé e que o mantém com uma atividade cerebral intensa, ele trata, por mais indignado que ele esteja e por mais injustiçado que ele saiba que é, ele trata como dado da política e enfrenta no campo da política, não enfrenta no campo do ressentimento pessoal."

O ex-deputado federal ainda comentou sobre a Lava Jato e afirmou que a operação não é válida, em seu ponto de vista. "A Lava Jato é uma operação que, em todos os seus aspectos, transformou-se em um processo judicial, no meu ponto de vista, nulo desde o início. O senhor Sérgio Moro não tinha competência e não era atribuição dele, processualmente falando, julgar esses processos referentes a Lava-Jato. O então juiz Sérgio Moro ganhou uma jurisdição universal. Tudo era Lava Jato".

Damous também comentou sobre a situação do PT no Rio de Janeiro e disse que o partido está debilitado. "O PT do Rio de Janeiro precisa analisar o que aconteceu e eu responsabilizo muito a direção do PT da cidade e do estado do Rio de Janeiro. Deixam muito a desejar, é um partido completamente desligado das lutas sociais". O ex-deputado complementou dizendo que é hora de fazer uma reflexão sobre o resultado da última eleição. "Nós pretendemos esse ano fazer um amplo balanço das responsabilidades do PT do Rio em relação a esse resultado".

Sobre a intervenção militar na cidade, Wadih Damous disse que não houve melhoras na segurança pública. "Eu não consigo vislumbrar qualquer saldo que chegue perto de positivo dessa intervenção aqui no Rio de Janeiro". Ele acrescenta dizendo que a intervenção desmoralizou a polícia. "Se houve algum efeito prático, possivelmente foi na desarticulação da polícia. Passa para a população que a polícia não resolve nada, desmoraliza ainda mais uma polícia que já é desmoralizada e o resultado de efeitos práticos positivos foi praticamente nenhum".

Em outro momento da conversa, o ex-presidente da OAB lembrou que a parcela evangélica da sociedade foi decisiva na eleição de Bolsonaro e que a esquerda precisa ganhar esse público."A esquerda precisa perder o preconceito que tem em relação aos evangélicos. Os cidadãos que professam este tipo de fé não são necessariamente agentes do mal, não são. São cidadãos que têm sua fé e sua preferência em termos de igreja".

Inscreva-se na TV 247 e assista à entrevista na íntegra: