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Brasil

Washington Post: 'Cunha não se importa de jogar sujo'

O site do jornal americano "The Washington Post" publicou nesta sexta (29) um perfil do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), comparando-o a Frank Underwood, o ambicioso político de 'House of Cards', série do Netflix; de acordo com a matéria, Cunha “não apenas balançou o governo de Dilma Rousseff, no qual seu partido, o PMDB, é supostamente o aliado mais importante, mas suas ações ameaçaram inviabilizar a coligação meses após o começo do segundo mandato da presidente, levando a uma série de revoltas que abriram feridas nas frágeis alianças"; a reportagem relata ainda as manobras de Cunha para votar a reforma política nesta semana; ao site, o professor de história da UFMG, Rodrigo Motta, diz que Cunha 'não tem nenhuma ideologia'; "A sua ideologia é a do poder", disse

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O site do jornal americano "The Washington Post" publicou nesta sexta (29) um perfil do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), comparando-o a Frank Underwood, o ambicioso político de 'House of Cards', série do Netflix; de acordo com a matéria, Cunha “não apenas balançou o governo de Dilma Rousseff, no qual seu partido, o PMDB, é supostamente o aliado mais importante, mas suas ações ameaçaram inviabilizar a coligação meses após o começo do segundo mandato da presidente, levando a uma série de revoltas que abriram feridas nas frágeis alianças"; a reportagem relata ainda as manobras de Cunha para votar a reforma política nesta semana; ao site, o professor de história da UFMG, Rodrigo Motta, diz que Cunha 'não tem nenhuma ideologia'; "A sua ideologia é a do poder", disse (Foto: Valter Lima)
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247 - "Um cristão evangélico que toca bateria e tem sido comparado a Frank Underwood, o ambicioso político de “House of Cards”, série do Netflix, vem abalando a política brasileira desde que foi eleito presidente da Câmara dos Deputados, há quatro meses". É assim que começa o perfil do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) publicado no site do jornal americano “The Washington Post” (original em inglês aqui). 

De acordo com a matéria, Cunha “não apenas balançou o governo de alianças da Presidente Dilma Rousseff, no qual seu partido é supostamente o aliado mais importante. Suas ações ameaçaram inviabilizar a coligação meses após o começo do segundo mandato da presidente, levando a uma série de revoltas que abriram feridas nas frágeis alianças”.

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O jornal americano citou as votações dessa semana para mostrar como Cunha trabalha: “Uma comissão do congresso trabalhou por mais de três meses nas propostas que foram jogadas fora depois que o deputado convidou alguns líderes de partidos para almoçar em sua casa e foi decidido que as medidas seriam votadas diretamente no plenário cheio”.

José Álvaro Moisés, cientista político da Universidade de São Paulo (USP), descreveu para reportagem do site do Washington Post o momento da política brasileira como um divisor de águas. "A oposição não está cumprindo bem o seu papel. Então esse espaço está sendo ocupado pelo PMDB", disse.

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Segundo a publicação, o PMDB tem planos de desafiar o PT nas eleições presidenciais de 2018 e, com o Congresso agressivo que vem controlando com a presidência das duas casas, está mudando o equilíbrio de poder no Brasil. "O legislativo também quer definir a agenda do país", disse.

O jornal ressalta que críticos chamaram Cunha de perigoso, retratando ele como um operador político implacável e resiliente que dirige a Câmara dos Deputados de forma imperativa.

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O jornal lembra ainda que Cunha recebeu doações da Camargo Corrêa, uma das construtoras investigadas na Lava-Jato, na campanha de 2010, e que a senha do computador dele na Câmara foi usada para fazer um requerimento com pedido de informações a uma empresa suspeita de pagar propina a políticos com dinheiro desviado da Petrobras.

De acordo com o depoimento ao jornal de Rodrigo Motta, professor de história da UFMG e autor de livro sobre o PMDB, o presidente da Câmara não tem ideologia. "Ele não tem nenhuma ideologia. A sua ideologia é a do poder", disse Motta à reportagem do Washington Post.

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A reportagem encerra dizendo que a "política brasileira é um jogo áspero e que Eduardo Cunha não se importa jogar sujo para ganhá-la". 

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