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Wellington Dias aponta falhas na base aliada como entrave à popularidade de Lula

Segundo Dias, aliados regionais nem sempre atribuem ao governo federal o mérito por programas e obras executados em parceria

Ministro Weelington Dias, do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS). (Foto: Lula Marques/Agência Brasil)

247 - O ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, afirmou em entrevista à Folha de S.Paulo que a desorganização da base política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos estados tem prejudicado o impacto positivo das ações do governo federal na popularidade do petista. 

Segundo Dias, aliados regionais nem sempre atribuem ao governo federal o mérito por programas e obras executados em parceria, o que acaba permitindo que adversários políticos capitalizem os resultados junto à população. Sem citar nomes, o ministro indicou que iniciativas federais acabam sendo associadas a grupos que, na prática, fazem oposição ao Planalto.

O cenário ocorre em meio a uma base de apoio ampla e heterogênea no Congresso Nacional, que inclui partidos de centro e direita. Para garantir aprovação de pautas relevantes, o governo tem dividido espaço com siglas como PP e União Brasil, o que, segundo o ministro, traz efeitos colaterais na comunicação política.

“Há esse efeito colateral onde ao mesmo tempo estamos fazendo [obras] com quem é governo e com quem é oposição”, afirmou Dias. Ele exemplificou a situação ao mencionar melhorias estruturais em municípios: “Não tinha um sistema de água, agora tem. Não tinha uma UTI na cidade, agora tem. E, para a pessoa, quem fez isso não foi o governo do Brasil”.

De acordo com o ministro, parte do problema está na forma como os recursos federais são repassados e executados. Ele diz que, em muitos casos, governos estaduais e municipais não destacam a parceria com a União — e, por vezes, até rebatizam os programas. “É como se fosse só do município ou só do estado. Em muitos lugares mudam até o nome do programa”, declarou.

Dias utilizou uma metáfora para ilustrar a dificuldade de comunicação: “Em boa parte do país é como se a gente estivesse jogando [as ações] de um helicóptero. Quem está lá em baixo não sabe quem está no helicóptero”.

O ministro citou o Piauí, estado que governou por dois mandatos, como exemplo positivo de articulação política. Segundo ele, a organização da base local contribui para que a população reconheça a autoria das políticas públicas. “Quando a base do governo é mais organizada e mais presente, chega melhor à população a percepção de quem fez [a obra]”, disse.

O contexto político também inclui a disputa eleitoral. Lula deve concorrer à reeleição, enquanto pesquisas apontam um cenário de equilíbrio com o senador Flávio Bolsonaro, considerado um dos principais nomes da oposição. Ao mesmo tempo, levantamentos indicam predominância de avaliação negativa do governo.

Apesar disso, integrantes do Planalto avaliam que a gestão entregou resultados relevantes e esperavam maior retorno em termos de popularidade. “O presidente está muito interessando em compreender, com tantas entregas, qual é a percepção da população”, afirmou Dias.

O ministro também mencionou dificuldades enfrentadas por apoiadores locais para divulgar as ações do governo federal. “Há uma queixa de que não conseguem dominar sobre o que o governo faz nesses lugares”, disse.

Durante o ano eleitoral, Lula orientou parte de seus auxiliares a deixar cargos no governo para disputar eleições legislativas. Ainda assim, manteve alguns nomes na Esplanada, como Dias, Luiz Marinho e Guilherme Boulos, com o objetivo de evitar um esvaziamento completo da equipe durante a campanha.