HOME > Conteúdo publicitário

BNDES aprova R$ 331 milhões para modernizar terminal portuário Rio Grande

Recursos do Fundo da Marinha Mercante serão usados em automação, dragagem e novos equipamentos para ampliar eficiência do terminal

BNDES aprova R$ 331 milhões para modernizar terminal portuário Rio Grande (Foto: Divulgação)

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou um financiamento de R$ 331 milhões para o Tecon Rio Grande S/A, subsidiária integral da Wilson Sons, destinado à modernização do terminal portuário de Rio Grande, no Rio Grande do Sul. O projeto envolve investimentos em automação do cais, adequação de equipamentos e obras de dragagem, com foco na elevação da eficiência operacional e na preparação do terminal para receber navios de maior porte.

Os recursos são provenientes do Fundo da Marinha Mercante (FMM) e contemplam a aquisição de novos Portêineres (Ship-to-Shore – STS), guindastes Rubber-Tyred Gantry (RTG), tratores elétricos, carretas (SRs), estações de recarga para os equipamentos elétricos, empilhadeiras de pequeno porte e dois scanners para inspeção de cargas.

Investimentos para ampliar eficiência e competitividade

O financiamento tem como objetivo fortalecer o papel do porto de Rio Grande como um hub logístico estratégico no Cone Sul, conectando o Brasil aos mercados da Argentina, Uruguai e Paraguai. O desempenho recente do terminal reforça essa posição. Em dezembro de 2024, a movimentação total de contêineres cresceu 45% em relação ao mesmo período de 2023, enquanto o volume de transbordo avançou 233%.

Para o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, o apoio financeiro traz impactos diretos sobre custos e confiabilidade das operações. “Com o apoio do BNDES o terminal vai melhorar a eficiência e a confiabilidade operacional, reduzindo o tempo de permanência dos navios e, como consequência, os custos com atrasos. Dessa maneira, vamos contribuir para consolidar o Tecon Rio Grande como um hub de comércio internacional para o Cone Sul, atraindo investimentos para o desenvolvimento econômico da região Sul do Brasil, impulsionando as exportações, gerando empregos e aumentando a receita do estado”, afirmou.

Infraestrutura estratégica no sul do país

O Tecon Rio Grande é o único terminal de contêineres dedicado no Rio Grande do Sul. Sua infraestrutura inclui 735 mil metros quadrados de área total, 900 metros de cais linear com três berços de atracação e calado de 15 metros, além de 2.800 tomadas para contêineres refrigerados. A capacidade anual de movimentação chega a 1,42 milhão de TEUs, apoiada por um parque de equipamentos composto por nove guindastes de cais STS e 22 guindastes de pátio RTG.

Entre os principais serviços prestados estão a operação de carga e descarga de mercadorias em navios de longo curso e de cabotagem, a armazenagem alfandegada para importação e exportação, a consolidação e desconsolidação de contêineres para vistorias de órgãos públicos e o fornecimento de energia com monitoramento de temperatura para cargas refrigeradas.

Economia azul e transição energética

O financiamento ao terminal gaúcho se insere em uma estratégia mais ampla do Banco voltada ao desenvolvimento da economia do mar. Em janeiro de 2024, o BNDES lançou a iniciativa BNDES Azul, com foco em investimentos em pesquisa, Planejamento Espacial Marítimo, descarbonização da frota naval e modernização da infraestrutura portuária. Atividades como pesca, turismo, transporte marítimo e fluvial, exploração de petróleo, bioenergia e preservação ambiental fazem parte desse escopo.

Dentro dessa agenda, o BNDES lançou neste mês uma seleção pública para parceiro executor do estudo “Oportunidades da Descarbonização e da Transição Energética para a Reestruturação da Indústria Naval”, com orçamento de até R$ 8 milhões pelo Fundo de Estruturação de Projetos (BNDES FEP). O estudo pretende analisar a indústria naval brasileira e propor uma estratégia de retomada, considerando a adoção de combustíveis de baixa ou nula emissão de gases de efeito estufa.

“Esse estudo faz parte da iniciativa BNDES Azul, para impulsionar a retomada e fortalecimento da indústria naval brasileira, com foco estratégico na descarbonização da frota e na geração de empregos”, afirmou Aloizio Mercadante. Segundo ele, “esse estudo servirá de bússola para orientar uma estratégia de transição energética para o setor. Para isso, contamos com a parceria estratégica da Transpetro, escolhida em razão da sua expertise em logística multimodal de combustíveis”.

Indústria naval, Petrobras e pressão internacional

O estudo vai avaliar experiências nacionais e internacionais e desafios como o desenvolvimento da cadeia de fornecedores, o suprimento de aço competitivo, a absorção de tecnologia e o aumento da produtividade. Também será construída uma base de dados sobre a indústria naval no Brasil e no mundo, com o objetivo de subsidiar políticas públicas e a definição de metas de curto e longo prazo.

No plano corporativo, a Petrobras tem liderado iniciativas relacionadas à transição energética no transporte marítimo. Em 2023 e 2024, foram realizados testes com misturas de até 24% de biodiesel (B24) em navios de cabotagem, em parceria com a Transpetro e armadores como a Maersk. “Os resultados mostraram reduções de até 19% nas emissões de CO₂ em ciclo de vida completo, sem alterações operacionais nos motores”, disse William Nozaki, gerente de Gestão Integrada de Transição Energética da empresa.

A estatal também passou a comercializar VLS B24 no Brasil em julho de 2024 e a operar no mercado de bunker de Cingapura com biodiesel certificado por norma europeia de sustentabilidade. Conforme o Plano Estratégico 2050 da Petrobras, estão previstos investimentos de US$ 16,3 bilhões até 2029 em biocombustíveis, energia eólica e solar, hidrogênio e captura de carbono.

O setor naval brasileiro vem apresentando crescimento apoiado por instrumentos públicos como o Fundo da Marinha Mercante e programas federais de estímulo. Em 2024, cerca de R$ 30,8 bilhões foram aprovados para projetos de construção e modernização de embarcações e expansão de estaleiros. Esse movimento ocorre em paralelo à pressão regulatória internacional: o transporte marítimo responde por mais de 80% do comércio mundial e cerca de 2,89% das emissões globais de gases de efeito estufa, segundo a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento.

Em 2023, a Organização Marítima Internacional revisou sua estratégia climática, estabelecendo metas indicativas de redução de emissões de pelo menos 20% até 2030, 70% até 2040 e neutralidade em 2050. Nesse cenário, investimentos como o aprovado para o Tecon Rio Grande reforçam a posição do Brasil na adaptação de sua infraestrutura portuária e naval às exigências ambientais e logísticas do comércio marítimo global.